Celso Frateschi interpreta Giordano Bruno em peça

Acusado de heresia pela Igreja católica, o dominicano e filósofo Giordano Bruno morreu na fogueira, em Roma, em 1600. A Inquisição não perdoava o fato de ele defender a ideia de que o universo é infinito e que a Terra é um astro como muitos outros. Bruno acreditava também na necessidade de separar as questões terrenas das questões divinas. A impiedade católica resultou ainda na perseguição de outros intelectuais, como Galileu Galilei (1564-1642), que se viu obrigado a negar as suas descobertas científicas para se livrar da pena de morte. Baseado no legado de Giordano Bruno, o dramaturgo italiano Mário Moretti escreveu a peça "Processo de Giordano Bruno", que estreia nesta sexta-feira, no Sesc Vila Mariana.

AE, Agência Estado

10 de maio de 2012 | 09h48

Perseguido não apenas por católicos, mas também por calvinistas, luteranos e anglicanos, Giordano Bruno foi preso, processado e condenado pela Inquisição italiana. Ao acompanhar os últimos anos do intelectual, a peça se divide em duas partes - a primeira se passa em Veneza, onde Bruno, denunciado por um discípulo, é preso pelo Santo Ofício e interrogado pelos inquisidores venezianos.

Já a segunda parte é ambientada em Roma, no palácio do Santo Ofício e nas prisões da Inquisição. Diante dos inquisidores romanos, Bruno reafirma sua doutrina filosófica e é condenado à morte. A cena final remete ao Campo das Flores, onde ele foi queimado vivo em 17 de fevereiro de 1600.

Para construir a peça, o autor realizou um extenso levantamento histórico dos processos dos tribunais da Inquisição de Veneza e Roma. Grandes cenas do espetáculo foram construídas a partir das transcrições desses processos.

As ideias libertárias do texto acompanham o pensamento do diretor Rubens Rusche, que volta a se encontrar com o ator Celso Frateschi, agora no papel de Bruno. "Ele passou seus últimos anos sendo torturado, sem ler, nem escrever, sem poder observar a luz do dia, nem o universo infinito que o iluminou e iluminou também as suas ideias", conta Frateschi, acreditando que Bruno exibia a liberdade como principal trunfo.

Já Rubens Rusche ambicionava montar o texto de Moretti desde os anos 1970, época marcada pelo sufoco artístico promovido pela ditadura militar. As falas da peça, que exibem anseios pela liberdade de expressão, no entanto, não foram bem aceitas pela censura vigente. Mesmo assim, o encenador nunca abandonou o texto e as ideias de seu protagonista. "Giordano Bruno é uma luz na discussão da liberdade, dialoga de forma precisa com os dias atuais. É uma oportunidade de conhecer a história, uma luta contra a intolerância, algo recorrente no mundo contemporâneo", comenta.

Ele se animou a voltar ao velho projeto quando viu Frateschi no espetáculo "Sonho de Um Homem Ridículo", de Fiodor Dostoievski - encontrara ali o parceiro ideal. "O caso de Giordano Bruno não foi revisto pela Igreja até hoje", observa o ator. "Fazer este espetáculo é uma maneira de homenagear as pessoas que morreram lutando por suas ideais, inclusive aquelas dos tempos da ditadura militar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PROCESSO DE GIORDANO BRUNO

Teatro do Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141). Telefone (011) 5080-3000. 6ª e sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 24. Até 10/6.

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