Celebridades perdem a vergonha em mostra e livro

Reynaldo Gianecchini, Carolina Dieckman, Aline Moraes e Elza Soares estão em algumas das 35 fotos da exposição Sem Vergonha, que está em cartaz no Shopping Center Light (R. Cel. Xavier de Toledo, 23, Centro). As imagens fazem parte do projeto homônimo do fotógrafo Ernesto Baldan, que há dez anos se dedica ao tema da cultura popular brasileira. "Trabalho com fotografia de moda e as pessoas sempre tiveram muita vergonha do estilo popular brasileiro. Por isso resolvi criar personagens que têm a ver com o que está em volta de mim", explica.Assim surgiram a religiosa, que mistura catolicismo com candomblé, a menina sensual, maliciosa, que não teme assumir sua calça apertada - e nem por isso é vulgar. "Mas eu nunca rotulei ninguém. O Gianecchini, a princípio, era um camelô, mas todo mundo olha e acha que é um taxista. Por mim, tudo bem", diz o autor. Se o resultado é kitsch? Não para Baldan. "Quando o inglês vai lá na periferia e vê o punk, a gente glamouriza isso, exagera. Meu projeto traz um estilo brasileiro exagerado, é só um pretexto para fazer o ensaio em cima da nossa cultura."Baldan acha que está mais do que na hora de o brasileiro deixar de ter vergonha de seu estilo. "Quando um fotógrafo como o alemão Helmut Newton olha para a cultura alemã e faz imagens de apelo sadomasoquista, todo mundo acha chique. Quando alguém olha para a nossa cultura, ou é brega, ou é vulgar ou é kitsch. Por que chicote é chique e boquinha da garrafa é vulgar?", insiste. Seu próximo trabalho parece uma celebração de suas idéias. Ele não esteve presente no vernissage da exposição, anteontem. Foi para Parintins fazer um editorial de moda para Vogue. "Adorei! Chega de ir a Roma, a Londres... vamos a Parintins!"Simultaneamente à abertura da exposição, está sendo lançado o livro Sem Vergonha, um catálogo em formato revista com 80 páginas e 60 fotos. Preço? Apenas R$ 5, que é para todo mundo poder comprar.

Agencia Estado,

26 de junho de 2003 | 12h59

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.