Celebridades e políticos apóiam greve de roteiristas nos EUA

Atriz Julia Louis-Dreyfus, de 'The New Adventures of Old Christine', se uniu aos protestos com cartaz nas mãos

EFE,

06 de novembro de 2007 | 19h58

Os roteiristas de televisão e de filmes dos Estados Unidos entram nesta terça-feira, 6, em seu segundo dia de greve contando com o apoio de estrelas de Hollywood e de políticos como Barack Obama e Hillary Clinton. Na segunda-feira, 5, o comediante Jay Leno - que apresenta toda noite The Tonight Show with Jay Leno na rede NBC e é um dos artistas mais bem pagos da TV americana - se aproximou dos piquetes em frente aos estúdios da empresa na Califórnia para oferecer comida aos grevistas. Outros decidiram assumir um papel mais ativo e, com cartazes nas mãos, se uniram aos protestos em frente aos estúdios Warner em Hollywood. Entre eles estava a atriz Julia Louis-Dreyfus - alçada à fama por seu papel na série Seinfeld (Sony) nos anos 1990 e atual protagonista de The New Adventures of Old Christine (Warner). O ator Steve Carrell, protagonista de filmes como O Virgem de 40 Anos e A Volta do Todo-Poderoso e também da série The Office (FX), decidiu não ir trabalhar na segunda-feira em apoio aos roteiristas. Os atores de Hollywood não são os únicos que expressaram apoio aos roteiristas de televisão e de cinema em sua disputa trabalhista com as produtoras quanto aos pagamentos derivados de vendas de DVDs e downloads. Os dois principais pré-candidatos democratas à Presidência americana, os senadores Barack Obama e Hillary Clinton, também estão do lado dos roteiristas. Obama emitiu segunda, 5, um comunicado no qual diz apoiar os grevistas: "a reivindicação do sindicato é um teste para saber se as empresas darão aos escritores uma participação justa da riqueza criada por seu trabalho ou se continuarão concentrando os lucros nas mãos de seus executivos". Hillary disse que apóia "o objetivo do sindicato de roteiristas de obter um convênio justo que os pague por seu trabalho em todas as mídias". "Espero que produtores e roteiristas voltem à mesa de negociação para redigir um convênio que mantenha nossa indústria do entretenimento forte e reconheça as contribuições que os roteiristas dão para o sucesso do setor", acrescentou a senadora. As declarações de Obama e Hillary são uma amostra da importância que Hollywood tem para suas campanhas. Segundo o Center for Responsive Politics (CRP) - grupo americano que monitora verbas relacionadas à política -, os dois pré-candidatos receberam contribuições financeiras substanciais do setor de entretenimento. O CRP calculou em US$ 2,07 milhões a quantia doada por Hollywood a Obama até outubro, enquanto a cifra do apoio dado pelo setor a Hillary ficou em US$ 2,14 milhões. Enquanto isso, o setor tenta calcular quanto custará a greve dos roteiristas. Durante a paralisação anterior da categoria, durante 22 semanas em 1988, o prejuízo da indústria chegou a US$ 500 milhões. Agora, os principais interessados antecipam que a atual greve pode ser ainda mais longa. O presidente da Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), Nick Counter - que esteve negociando com o Writers Guild of America (WGA, sindicato dos roteiristas) - afirmou após a ruptura das conversas que os produtores estavam preparados para uma greve prolongada. O WGA e a AMPTP trocaram acusações sobre uma falta de flexibilidade (por parte dos dois lados) que teria interrompido as negociações. "Tentamos chegar a um compromisso em várias áreas-chave, incluindo a reprodução pela internet e a jurisdição de novas mídias. No final, o sindicato não quis chegar a um acordo sobre a maioria de suas principais reivindicações", disse Counter. Por sua vez, o WGA declarou que "a AMPTP não respondeu a nenhuma das propostas que o WGA fez desde julho", mesmo tendo retirado no último momento sua reivindicação mais controvertida sobre as vendas de DVD. O conflito trabalhista está centrado nos pagamentos que os roteiristas recebem pela vendas de DVDs e por downloads. Os produtores se negaram a discutir a possibilidade de os autores receberem pela distribuição das séries de televisão em "novas mídias" (como internet e celulares), argumentando que a situação financeira do setor não permite e que os roteiristas já recebem bastante dinheiro por seu trabalho.

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