Thales Stadler/Estadão
Thales Stadler/Estadão

"Celebre-se o homem, celebre-se o brasileiro, celebre-se o artesão das palavras", diz Selton Mello

Ator interpretou Chicó em 'O Auto da Compadecida', grande sucesso do cinema inspirado na obra de Ariano Suassuna

Flavia Guerra , O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2014 | 20h11

 Selton Mello, o Chicó de O Auto da Compadecida, comentou a morte de Ariano Suassuna e o legado do autor para a cultura brasileira. Dirigido por Guel Arraes em 2000, com roteiro de Adriana Falcão. 

Inspirado na peça homônima que Ariano Suassuna escreveu em 1955, o longa é um dos maiores sucessos da retomada do cinema brasileiro e virou série para a TV.  Com muita sensibilidade, o ator declarou ao Estado

"E o Brasil ficou mais pobre .

E triste.

Ariano, poeta entendedor do Brasil profundo .

Defensor de nossa riqueza cultural e emocional .

Sua obra descomunal fica para sempre.

Tive a honraria graúda de dar vida a um de seus passarinhos (era como se referia a seus personagens queridos).

Chicó fui eu, Chicó é Ariano, Chicó é tu.

Chicó e João Grilo têm morada no coração dos brasileiros.

E na minha mente e coração sempre estarão gravadas as palavras sublimes que proferi em O Auto da Compadecida:

"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados."

Celebre-se o homem, celebre-se o brasileiro, celebre-se o artesão das palavras .

E se um dia perguntarem se tudo que criou foi exatamente assim como ele idealizou, imaginarei Ariano dizendo com um sorriso de menino nos lábios: "Não sei, só sei que foi assim.""

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