Celebração da arte em Prados

Programação na cidade mineira, comandada por Olivier Toni, chega à 35ª edição

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h08

O concerto de abertura da 35ª edição do Festival de Música de Prados, que acontece hoje às 20 horas na Capela do Rosário, na pequena cidade de Minas Gerais, marca dois diferenciais importantes: ele é composto apenas por peças solo para instrumentos melódicos. E apresenta como destaque Felipe A. de Sousa, 23 anos, que toca a dificílima Chacona, último movimento da Partita nº 2 em Ré Menor BWV 1004 para violino solo de Bach. Felipe é pradense, descendente de um notável compositor da terra que viveu no século 18 e começou a estudar violino aos 7 anos, com os músicos que vinham de São Paulo, liderados pelo maestro Olivier Toni.

Formado pelo departamento de música da UFMG, Felipe também toca, em primeira audição mundial, a obra solo In Memoriam, de Toni, fundador do festival nos idos de 1977. A peça é um tributo à memória de Eleazar de Carvalho na passagem de seu centenário de nascimento e a outros três pradenses. Felipe também toca na Orquestra do Festival - composta de 16 cordas e quatro sopros -, da qual participam ainda dois trompistas de Prados (um deles é hoje primeiro trompa da Sinfônic a de Sergipe). Completa o concerto o flautista Jonas Ribeiro, aluno do Departamento de Música da USP, que interpreta a sonata solo de Carl Philipp Emanuel, um dos filhos de Bach.

Como Toni gosta de repetir, "a gente toca para a cidade". Durante duas semanas, uma trupe de 27 músicos da USP realiza concertos, dá aulas de cordas e sopros, além de canto coral. O Trio Aulos, que acaba de gravar os trios de Glauco Velásquez, promove a estréia mundial do trio nº 2 para piano, violino e violoncelo deste magnífico compositor brasileiro que nasceu na Itália por causa da gravidez clandestina da mãe carioca, em 1884, e desde os 11 morou no Rio. Em sua curta vida - morreucom 30 anos -, foi um visionário, moderníssimo para os padrões brasileiros daquele momento. Paulo Brucoli, dublê de pianista e contrabaixista, também vai tocar as três Estampes para piano de Claude Debussy, no auditório da Lira Ceciliana, ainda hoje liderada por Adhemar Campos, que com Toni iniciou o festival 35 anos atrás.

A orquestra do festival faz dois concertos em capelas das cidades vizinhas Bichinhos e Coronel Xavier Chaves. O festival encerra-se no dia 28, em dois concertos: às 16 horas, 40 crianças pradenses interpretam cantos populares da região; e a orquestra, regida por Toni, toca a Sonata nº 2 para cordas de Rossini e acompanha Mauro Brucoli no concerto em dó maior de Haydn para violoncelo. Os músicos paulistas também trabalham com a orquestra de jovens da Lira Ceciliana, tocada durante o ano por Adhemar Campos.

"Planejamos um amplo curso de música oferecido a toda a comunidade pradense constituído de aulas de instrumentos para os jovens músicos da cidade após assistirmos a presença contagiante da música na vida de Prados", diz Toni. O evento conta, desde 1977, com apoio da Lira Ceciliana, da USP e da FAPESP. Toni festeja em 2012 dois presentes para a Lira Ceciliana recebidos da Roland: um piano e um órgão.

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