Cegos polemizam ao apalpar tesouro arqueológico da China

Um grupo de turistas cegos japoneses conseguiu o que quase ninguém mais tinha feito antes: tocar os Guerreiros de Terracota de Xian, o mais valorizado tesouro arqueológico da China, gerando uma polêmica entre defensores do patrimônio cultural chinês, segundo informou nesta quinta-feira, 26, a imprensa estatal.Os turistas solicitaram permissão ao governo da província de Shaanxi. Devido às necessidades especiais do grupo, as autoridades autorizaram no fim de semana que os cegos tocassem os guerreiros, algo que para o resto dos visitantes é estritamente proibido.A imprensa chinesa publicou várias fotos nas quais os japoneses aparecem tocando com finas luvas os famosos guerreiros, no dia 22 de abril."O tratamento especial deixou o povo de Xian preocupado com as medidas de proteção que aplica o governo local", disse o jornal China Daily.Tian Jing, subdiretor do museu onde ficam os guerreiros, defendeu a medida. Ele afirmou que as figuras de terracota tocadas são algumas das que estão em melhor estado.O subdiretor acrescentou que novos grupos de visitantes cegos serão no futuro autorizados também a tocar os guerreiros escolhidos para isto. Mas deverão antes pedir permissão às autoridades provinciais de proteção cultural.Os Guerreiros de Terracota foram modelados há mais de dois milênios para "proteger" o túmulo do primeiro imperador chinês, Qin Shihuang. O mausoléu, ainda não aberto pelos arqueólogos, fica a cerca de 2 quilômetros do museu.Os guerreiros atuais, cerca de 6 mil, são uma pequena parte do Exército original. Muitos continuam enterrados nos arredores do mausoléu. Os arqueólogos temem que desenterrar o resto danifique irreversivelmente as estátuas.Quando o grupo de guerreiros foi descoberto, em 1974, as estátuas estavam pintadas com cores vivas, que porém se volatilizaram em pouco tempo, devido ao contato com o ar livre.No ano passado, um artista alemão, Pablo Wendel, se disfarçou de guerreiro de terracota, desceu ao fosso e tirou uma foto como um membro do Exército. O caso também criou preocupação com as medidas de segurança e conservação no museu.

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