'Ceci beijou Peri, e aí José?', de Reinaldo Maia, estreia na terça

Diretor morreu em abril, durante criação da obra que remete ao Império e fala de novas formas de escravidão

Aline Stivaletti, de O Estado de S. Paulo,

04 de setembro de 2009 | 09h02

Quando o ator e diretor Reinaldo Maia, cofundador do Grupo Folias, faleceu em abril deste ano, ele estava no meio do processo de criação de uma peça. 'Ceci Beijou Peri, e aí José?', sua última obra, estreia na terça-feira ,8, no Ágora Teatro. A direção foi creditada a Maia, com colaboração de Gisele Valeri e Fábio Takeo. "A essência é do Reinaldo", afirma Fernando Nitsch (ex-Folias), o único ator em cena no espetáculo.

 

Mas não se trata de um monólogo, garante Nitsch. Nas palavras dele, a peça é um "stand-acting", forma que combina dramaturgia com momentos de interação com a plateia. Com base em cartas reais de José de Alencar para o D. Pedro II, em que o romancista defendia a escravidão, a peça traça um paralelo entre a escravidão de ontem e a de hoje.

 

Nitsch vive um ator que larga a peça que protagoniza no meio dos ensaios. "O personagem é contraditório: diz uma coisa e faz outra", explica. A contradição é proposital, com o objetivo de refletir as contradições do brasileiro hoje, no cotidiano, na arte e na política. Outra referência que permeia o espetáculo é o livro ‘Raízes do Brasil’, de Sérgio Buarque de Holanda. O historiador afirmava que, no Brasil, as ideias estão fora de lugar.

 

Onde: Ágora Teatro. R. Rui Barbosa, 672, 3284-0290.

Quando: 3ª e 4ª, 21h.

Quanto: R$ 20.

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