CD-ROM compila depoimentos sobre 11 de setembro

Uma documentarista nova-iorquina lançou um CD-ROM com 50 entrevistas feitas logo após 11 de setembro de 2001 e nos dois meses seguintes. Com a pergunta "onde você estava quando aconteceu?", Sally Herships colheu depoimentos de pessoas que viram de perto os ataques ao World Trade Center.Sem saber como ajudar nos trabalhos de salvamento e recuperação da cidade, Sally resolveu entrevistar cidadãos de Nova York como forma de deixá-los extravasar. As entrevistas duram entre cinco minutos e meia hora. "Nova York deixou de ser uma cidade com oito milhões de histórias para ser uma cidade com uma história vista por oito milhões de ângulos", diz a documentarista.Os depoimentos que ela colheu são dramáticos. "Pensei que era um terremoto. Saí à rua na esquina da Broome com a Broadway e vi um padre coberto de cinzas, apenas seus olhos estavam à vista", contou Alison Marshalls, de 32 anos. "Perguntei a ele se estava bem, e ele me respondeu: ?não, ali vi o inferno?", completou.Muitos dos entrevistados de Sally Herships estavam ainda em estado de choque um mês depois dos atentados. David Ollson, que tinha amigos no 86º andar de uma das torres, contou que encontrou alguém que havia chegado tarde ao trabalho e por isso não chegou a entrar no WTC. "Ele tinha os olhos cheios de lágrimas, por pouco não caiu sobre ele um bloco de cimento do tamanho de um caminhão dos correios", disse Ollson.Outros depoimentos falam de casais que iam juntos para seus trabalhos, sem saber que um deles morreria no desabamento das torres momentos depois. Alguns entrevistados revelam que ficaram profundamente desorientados após os ataques, sem saber mesmo para onde deveriam ir ou o que fazer. Há também muçulmanos que falam da diferença de tratamento que passaram a receber após 11 de setembro.Sally continua entrevistando nova-iorquinos até hoje. Uma parte dos depoimentos pode ser lida no site www.documentnewyork.com, onde também é vendido o CD-ROM. Com as vendas, Sally pretende financiar uma nova fase do projeto. Uma hipótese que ela considera é entrevistar as mesmas pessoas daqui a dois anos, a fim de compreender como mudaram suas visões sobre o impacto da tragédia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.