Gabriela Biló/Estadão
Nos últimos anos, a CCXP se tornou um dos principais eventos de cultura pop do mundo  Gabriela Biló/Estadão

CCXP 2019: Programação, painéis, horários, como chegar, o que levar

Veja o serviço completo para a edição da CCXP 2019 em São Paulo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2019 | 15h58

A CCXP 2019 começa nesta quinta-feira, 5, no São Paulo Expo, zona sul da capital paulista. Segundo a assessoria de comunicação, todos os ingressos já estão esgotados.

Mas quem garantiu a entrada vai poder conferir uma série de ativações, painéis, lojas, shows de música e as milhares de atrações que a CCXP prepara todos os anos. São esperados cerca de 280 mil visitantes durante os 4 dias do evento.

A CCXP ocorre de 5 a 8 de dezembro de 2019. A feira da cultura pop fica aberta nos seguintes horários: quinta-feira e sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h. Veja abaixo programação e outras dicas para o evento.

Veja a programação completa dos painéis da CCXP 2019:

  • QUINTA-FEIRA, 5

AUDITÓRIO ULTRA

  • 15h30 - O que vem por aí com os malucos da Stout Club
  • 16h30 - Astros dos quadrinhos: Frank Quitely
  • 17h30 - Iron Studios 2020

AUDITÓRIO PRIME

  • 14h00 - MASTERCLASS - Aguada com Rafael Albuquerque
  • 15h30 - MASTERCLASS - Quadrinhos e Política por Laerte e Rafael Coutinho
  • 17h00 - Astros dos quadrinhos: André Dahmer
  • 18h00 - O2: Chorão - Marginal Alado
  • 19h00 - Shang-Chi, Valquíria e Blade: O futuro da representatividade na cultura pop

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h00 - Abertura Creators Stage by Trigg - Ilusionistas com apresentadores
  • 14h45 - Pontifexx, Zeeba E Le Dib apresentam Feelings - Talk show
  • 17h00 - Desfile Cosplay
  • 18h00 - UTC Live - Ultimate Trocadilho Championship
  • 19h00 - “O que os heróis da Marvel e DC têm em comum?" Os segredos das cenas de ação de Hollywood com Bobby Holland e Duda Nagle
  • 20h00 - Show - Far From Alaska

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 12h30 - Castelo Rá-Tim-Bum: Cao Hamburger e os 25 anos da série
  • 14h - Rei Leão: Dando vida à savana
  • 15h - Homem-Aranha: Desbravando o Aranhaverso
  • 16h - Entendendo o Terror Japonês - Com Takashi Shimizu

O mestre japonês do terror, Takashi Shimizu, cruza o planeta para assombrar os pesadelos dos fãs na CCXP 19 com histórias sobre O Grito e seus outros projetos.

  • 17h - Riot Games
  • 18h - Sor Batman: Iain Glen

Painel com o ator de Game of Thrones, Titans, Resident Evil.

  • 19h - Batman - 80 Anos

Com os quadrinistas Neal Adams, Frank Quitely, Joëlle Jones, Eduardo Risso, Mikel Janín, Rafael Grampá e Rafael Albuquerque

  • 20h - Warner Bros. - Aves de Rapina

Com Margot Robbie, Jurnee Smollet-Bell, Ella Jay Basco, Mary Elizabeth Winstead, Rosie Perez, Cathy Yan, Mari Moon (Moderadora)

  • SEXTA-FEIRA, 6

AUDITÓRIO ULTRA

  • 13h30 - Panini Comics - O que vem por aí
  • 14h30 - Tormenta 20 Anos
  • 15h30 - Talentosa pra diabo! Lesley-Ann Brandt
  • 16h30 - The Walking Dead - O Início
  • 17h30 - Mestres dos quadrinhos: Neal Adams
  • 18h30 - Riot apresenta... True Damage
  • 19h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 13h - MASTERCLASS - Design de personagens com Mike Deodato Jr.
  • 14h30 - MASTERCLASS - Desenhando o Morcego com Mikel Janín
  • 16h - 25 anos da Herói
  • 17h - HBO - Todxs Nós
  • 18h - Making of: O Pôster oficial da CCXP19
  • 19h - Novidades da Social Comics
  • 20h - Tudo sobre Webtoon

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h - Banda Leela
  • 14h25 - Operação Cinema - Desafio dos Filmes com Emojis
  • 15h20 - Otaviano Costa - transição da TV para o digital
  • 16h - Cueio Live Show Com Gato Galáctico
  • 17h - Tropkillaz - Pela união dos seus poderes, eu sou a cultura pop!
  • 18h - Desfile Cosplay
  • 20h - Show - Fresno

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 11h - Playmobil: O Filme - pré-estreia exclusiva
  • 13h - A criação de Playmobil - O Filme
  • 15h30 - Lana Parrilla: Era Uma Vez uma Rainha
  • 16h30 - MSPVERSO - As novidades da MSP pra 2020
  • 17h30 - Cartoon Network - Trem Infinito

O novo sucesso do Cartoon Network, a série Trem Infinito, desembarca na estação central da CCXP. A bordo desse trem, o criador Owen Dennis discute as mensagens, a aventura e os personagens da animação.

  • 18h30 - Amazon Prime Video

Painel com o elenco das séries Star Trek, The Expanse e The Boys, todas da Amazon Prime Video.

  • SÁBADO, 6

AUDITÓRIO ULTRA

  • 12h - Entrevistaço: Mauricio de Sousa
  • 14h - WOW: Criando mundos na Blizzard
  • 15h - Grande Almanaque dos Super-Heróis Brasileiros - Chiaroscuro Studios
  • 16h - Transmissão Fantasma com Takashi Shimizu
  • 18h - Batman 80 anos - A Celebração
  • 19h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 12h - MASTERCLASS - Roteiro & Arte Joëlle Jones
  • 13h30 - MASTERCLASS - Narrativa gráfica Eduardo Risso
  • 15h - D&D e as novidades da Galápagos Jogos
  • 16h - Pasquim 50 anos
  • 17h - Bifrost: O arco-íris na cultura pop
  • 18h - Bruttal - Gibis com soco na cara
  • 19h - Cartoon Network apresenta: AnyMalu
  • 20h - Tudo sobre Webtoon

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h30 - Pipocando e Nerdstones - conteúdo e música
  • 15h30 - Change The Game - Mulheres mudando o jogo
  • 16h30 - Ilha de Barbados Convida
  • 19h - Desfile Cosplay
  • 20h15 - Show - Supercombo

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 10h - Frozen 2 - Pré-estreia especial
  • 12h - Frozen 2 - De volta a Arendelle
  • 12h30 - Pixar - Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
  • 13h30 - Disney Parks - Star Wars: Galaxy's Edge
  • 14h15 - Um Espião Animal
  • 15h - Free Guy - Assumindo o Controle

Com Ryan Reynolds, Joe Kerry, Shawn Levy.

  • 16h - Marvel Studios

Com Kevin Feige.

  • 17h - Star Wars

Daisy Ridley, J.J. Abrams, John Boyega, Oscar Isaac, Kathleen Kennedy, Érico Borgo (moderador)

  • DOMINGO, 8

AUDITÓRIO ULTRA

  • 11h30 - Furiosas: Mulheres que chutam bundas
  • 12h30 - Os mundos de Laerte
  • 13h30 - Hora de Morfar com David Yost
  • 14h30 - Espadachim de Carvão - A Série Animada - Preview Especial com Split Studio
  • 15h30 - O making of do novo episódio de O Cavaleiro das Trevas
  • 16h30 - Fábio Moon e Gabriel Bá - Quadrinhos em Dose Dupla
  • 17h30 - Marvel Comics
  • 18h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 12h - MASTERCLASS - Capas com Tim Bradstreet
  • 13h30 - MASTERCLASS - Aquarela com Mike McKone
  • 15h - Design Geek - Criando para o Omelete e CCXP
  • 16h - Gaulês e The Enemy apresentam: 20 anos de Counter-Strike
  • 17h - Não mete política no meu quadrinho
  • 18h - Mangá BR
  • 19h - O que aconteceu com o nerd que estava aqui?

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 13h30 - Banda Leela
  • 14h - Efeitos Visuais na TV aberta - O mundo geek de "As Aventuras de Poliana"
  • 16h45 - Dublaralho - Affonso Solano e Gaveta
  • 17h45 - Concurso Cosplay - Final
  • 19h - Show - Scalene

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 11h - Batman 80 anos - The Dark Knight Returns: The Golden Child

Com Frank Miller, Rafael Grampá, Érico Borgo (moderador), Silenn Thomas, Justin Townsend.

  • 12h - Netflix

Com Ryan Reynolds, Michael Bay, Rodrigo de la Serna, Esther Acebo, Pedro Alonso, Alba Flores, Darko Peric.

  • 15h - HBO

Com Dafne Keen, Ruth Wilson, Clarke Peters (His Dark Materials).

  • 16h30 - Warner Bros. 2020

As novidades da Warner Bros. para 2020 em um painel repleto de conteúdo inédito.

  • 17h30 - Warner Bros. apresenta: Mulher-Maravilha 1984

Com Gal Gadot, Patty Jenkins.

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Como chegar na CCXP 2019:

  • De Metrô e ônibus:

Durante o evento, a CCXP terá ônibus gratuitos fazendo o trajeto Estação Jabaquara (Linha Azul do Metrô) - São Paulo Expo, das 7h às 23h. Haverá van acessível (PCD).

  • De carro:

Há um estacionamento no São Paulo Expo. O custo é de R$ 50 por 12 horas para carros comuns.

  • De bicicleta:

São 430 vagas para bicicletas e acesso gratuito para os visitantes. É necessário levar cadeado.

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O que NÃO pode levar para a CCXP 2019:

  • embalagens rígidas e com tampa (exemplo: potes de plásticos do tipo “tupperware”);
  • latas;
  • capacetes;
  • armas de fogo ou armas brancas de qualquer tipo (facas, canivetes, etc); (
  • cadeiras/banquinhos;
  • objetos pontiagudos;
  • objetos perfurantes ou cortantes (tesoura, estiletes, pinças, cortadores de unha);
  • fogos de artificio, dispositivos explosivos, sinalizadores e aparatos incendiários de qualquer espécie;
  • bebidas alcoólicas;
  • substâncias venenosas e/ou tóxicas, incluindo drogas ilegais;
  • skate, bicicleta ou qualquer tipo de veiculo motorizado ou não;
  • isopor, cooler ou qualquer tipo de utensílio para armazenagem;
  • bomba de ar manual ou elétrica.

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Onde retirar o ingressos da CCXP 2019:

Para quem selecionou a opção "retirada no evento", seguem os dias e horários para retirar o seu pedido no local da CCXP (São Paulo Expo, Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5.

Edifício garagem - Térreo

  • 1/12/2019 a 3/12/2019 das 09h às 20h
  • 4/12/2019 a 7/12/2019 das 07h às 21h
  • 8/12/2019, das 07h às 20h

É necessário levar o número do pedido e documento com foto. Caso a retirada seja feita por outra pessoa, é obrigatório apresentar o documento de identificação com foto do titular da credencial (original ou cópia).

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A CCXP 2019 tem Wifi gratuito?

Sim, segundo o site oficial.

Como se conectar ao Oi WiFi:

  1. Acesse a rede Oi WiFi.
  2. Abra o navegador e aguarde a tela de login.
  3. Se precisar, entre em qualquer site para que a página de login apareça.
  4. Escolha entrar pelas suas redes sociais ou faça um novo cadastro.
  5. Concluindo o login, clique em “Navegar”. Pronto. Você estará conectado ao Oi WiFi.

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CCXP19  

Datas: de 5 a 8 de dezembro de 2019   

Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda, São Paulo - SP)  

Ingressos: Esgotados

Horários: Quinta-feira e Sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h.

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CCXP19: 'Não dava para viver de quadrinhos no Brasil antigamente', diz Mike Deodato Jr.

Desenhista da Marvel por 24 anos, brasileiro saiu de seu 'sonho de infância' para se dedicar a HQs autorais em 2019

André Cáceres, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2019 | 06h00

Mike Deodato Jr. é um dos principais quadrinistas brasileiros em atividade no exterior atualmente. Nascido em Campina Grande (PB), ele abriu caminho nos anos 1990 para que vários outros artistas nacionais ganhassem espaço no mercado internacional de HQs. Deodato trabalhou nas séries principais de Mulher-Maravilha, Batman, Homem-Aranha, Vingadores, X-Men, entre outros personagens. No entanto, esses não foram os primeiros super-heróis em sua vida.

 

 

Mike é filho de Deodato Borges, jornalista paraibano que foi um dos pioneiros dos quadrinhos nacionais. Inspirado por publicações estrangeiras como The Spirit, de Will Eisner, e Flash Gordon, de Alex Raymond, e competindo com a radionovela Jerônimo: O Herói do Sertão, criada em 1953 por Moysés Weltman para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Borges idealizou um dos primeiros super-heróis do País - e o primeiro do Nordeste. As Aventuras do Flama foi ao ar na Rádio Borborema, de Campina Grande, pela primeira vez em 1963, e no mesmo ano ganhou as páginas dos gibis.

Tendo os quadrinhos no sangue, Mike Deodato recebeu todo o apoio do pai para iniciar sua trajetória como artista. Na década de 1980, pai e filho chegaram a produzir juntos os quadrinhos 3000 Anos Depois e Ramthar. Quando Mike passou a publicar suas obras fora do Brasil, foi descoberto pela DC Comics, que o chamou para desenhar uma edição da Mulher-Maravilha, em 1994. Após a estreia no mundo dos super-heróis, ele trabalhou em diversas edições da DC Comics e foi, por 24 anos, artista da Marvel.

 

 

Em 2019, ele se desligou da editora para se dedicar à sua veia autoral. Ao lado de Jeff Lemire, criou Berserker Unbound, quadrinho sobre um guerreiro medieval que se vê transportado para os dias contemporâneos. A obra teve quatro volumes e deve chegar ao Brasil em fevereiro, pela editora Mino.

Já em parceria com Michael Straczynski, um dos criadores de Sense8, Deodato está criando um multiverso de super-heróis para a editora AWA, liderada por Axel Alonso e Bill Jemas, ex-executivos da Marvel. Os primeiros quadrinhos dessa nova série, intitulada The Resistance, serão lançados no exterior em fevereiro.

Deodato falou sobre sua trajetória, o atual momento da cultura pop e seus projetos futuros em entrevista exclusiva para o Estado. Confira:

Como você vê o atual momento dos quadrinhos no Brasil, tendo ajudado a pavimentar o caminho para isso?

Eu vejo, na verdade, um retorno à glória que os quadrinhos tinham antes. Os quadrinhos já tiveram esse poder de penetração, que se perdeu por conta da competição com a internet, os videogames e outras mídias. Não em termos de vendas, mas de prestígio, principalmente por conta de os estúdios terem descoberto a fonte de inspiração, material para tantas produções, como filmes e séries. O Scorsese falou umas coisas bem apropriadas até sobre os filmes da Marvel, que ele não acha que são cinema... O cinema de arte perdeu espaço para um cinema mais industrial, digamos assim. Mas na época dele os diretores foram muito influenciados pelos quadrinhos também. Então é um círculo, cada um se alimenta do outro.

 

Qual foi o herói que você mais gostou de desenhar na sua carreira?

Foram tantos... Gostei muito de fazer Thanos, com Jeff Lemire. Old Man Logan, com o Wolverine velho, que também foi muito bom fazer. O Hulk também. Thunderbolt, que eu fiz com Warren Ellis. E Dark Avengers, com o Brian Michael Bendis.

 

Hoje em dia, muitos brasileiros trabalham para a Marvel e para a DC, mas você foi um dos primeiros a abrir caminho. Como foi quando você começou?

As dificuldades começaram no Brasil mesmo. Nos anos 70 e 80, eu ganhava uma mixaria, mas eu gostava. Na época, morava com meus pais. Trabalhei com meu pai, ele escrevendo e eu desenhando, por um tempo. Mas não dava para viver de quadrinhos no Brasil naquela época. Então nos anos 90 apareceu um estúdio de São Paulo, a Art Comics, e a missão deles era representar brasileiros no exterior. Fiz a primeira história, numa editora pequena, e fui galgando. Até que, em 1994, havia uma vaga para desenho na Mulher-Maravilha, fiz umas amostras e fui descoberto depois de mais de dez anos. Terminei ficando na Marvel por 24 anos, de 1995 até agora.

 

Fale um pouco sobre a relação com seu pai.

Painho foi o começo de tudo, minha grande influência, meu maior incentivador. A gente fez uma dupla. Ele criou o Flama, que foi o primeiro personagem de quadrinhos do Nordeste. Foi publicado pela primeira vez em 1963, mas ele já tinha criado com 17 anos. Era um personagem de uma novela radiofônica de muito sucesso que ele fazia. E eu sempre o vi desenhando em casa, ele fazia muita coisa, sempre foi um incentivador da produção de quadrinhos local. Quando dirigia um jornal, criava uma sessão de quadrinhos, criava um suplemento dominical para os quadrinhos. Ele sempre esteve envolvido no crescimento dos quadrinhos da região. Eu comecei a fazer quadrinhos influenciado por ele. A gente acabou produzindo quadrinhos juntos, ele escrevendo e eu desenhando, por alguns anos, então eu tive uma verdadeira aula de narrativa com os roteiros dele. Embora ele nunca tenha me dado uma aula formal, ele me apresentou todos os clássicos que importaram na minha formação e explicou por que eram bons e importantes. Autores que um jovem não procuraria. Foi uma relação essencial para a minha formação e para a minha decisão de ser um quadrinista. Para mim foi tudo.

 

Quais são seus projetos autorais atualmente?

Depois de 24 anos trabalhando com a Marvel, que foi ótimo, foi maravilhoso, eu decidi migrar para o quadrinho autoral porque eu sentia essa necessidade de fazer alguma coisa autoral. Depois que eu trabalhei com o Jeff, ficamos amigos e ele me chamou para fazer algumas coisas. Eu decidi fazer com ele esse personagem bárbaro, uma série chamada Berserker Unbound. Só que eu ainda estava em contrato com a Marvel. Então eu tentei fazer as duas coisas. Nos finais de semana, eu fazia isso, e durante a semana trabalhava para a Marvel. Diferente de um escritor, que pode escrever dez títulos por mês, um desenhista mal pode fazer dois, porque é muito trabalho. O roteirista coloca ali, "batalha de fulano contra ciclano", e acabou por aí, é a gente que vai ter que desenhar (risos). Não querendo desmerecer o trabalho dele, mas nessa parte é fácil. Ou eu vivia o sonho de ser um quadrinista da Marvel, que era meu sonho de infância, ou vivia meu sonho de adulto, que era ser um quadrinista autoral. Descobri que tinha que tomar essa decisão, porque foi muito desgastante. Decidi deixar a Marvel para fazer quadrinho autoral. Deve chegar ao Brasil em fevereiro. Foi uma experiência incrível. Ser responsável por tudo, ter uma liberdade total... Não que eu não tivesse na Marvel, mas são personagens deles, existe uma restrição do que eu posso fazer com os personagens deles. Recentemente eu assinei contrato com a AWA, do Axel Alonso com o Bill Jemas, que eram da Marvel, e criaram essa editora para publicar quadrinhos autorais. Eles me chamaram e aceitei, então estou produzindo atualmente The Resistance, com Michael Straczynski, que é autor de Sense8, Babylon 5, e deve sair em fevereiro agora. Estou muito feliz. Claro, em algum ponto eu vou sentir saudade de fazer super-heróis e devo querer fazer alguma coisa de novo, mas por enquanto estou adorando essa nova etapa da minha carreira. Assim que eu estiver passando fome debaixo da ponte, eu volto (risos).

 

Quais são as principais diferenças de se trabalhar com personagens que já existiam para personagens que você está criando?

Trabalhar com personagens já existentes, no meu caso, foi por ser fã desses personagens. É pela emoção de poder dar sua contribuição para aqueles personagens e fazê-los como você acha que eles deveriam ser feitos. Agora na AWA, por exemplo, eu estou construindo um universo. Eu e o Straczynski estamos fazendo a base do que vai ser o universo compartilhado de super-heróis, como a Marvel e a DC têm. Então tudo é novo. Qualquer personagem é novo e todos eles vão ter importância no futuro. A sensação de estar criando tudo do zero é fantástica também. E outra coisa é quando você faz um quadrinho totalmente autoral, como o que eu fiz em Berserker Unbound, com o Jeff Lemire. A sensação que eu tenho é a de quando eu estava começando, com 17 anos, no meu quarto, em casa, junto com meus amigos, quando a gente ficava ensaiando uma história. Com 56 anos, estou me sentindo com 17 agora. É fantástico.

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CCXP 2019: Margot Robbie apresenta novos detalhes de ‘Aves de Rapina’

Atriz e produtora esteve presente no evento ao lado da diretora Cathy Yan e do resto do elenco do filme

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2019 | 21h49

As cenas iniciais de Aves de Rapina, a nova aventura da DC, nos cinemas em fevereiro de 2020: uma Arlequina deprimida pós-término de relacionamento com o Coringa entra em processo de recuperação. Que no seu caso não se resume a horas de televisão e enormes potes de sorvete, mas também à adoção de uma hiena de tamanho adulto - apelidada Bruce, “por causa daquele gostosão do Wayne”.

As imagens inéditas e exclusivas foram exibidas no painel da Warner na CCXP 2019 na noite desta quinta-feira, 5, no São Paulo Expo. O evento teve a presença da protagonista e produtora do filme, Margot Robbie, da diretora Cathy Yan (na sua primeira grande produção de Hollywood) e das outras “aves”: Jurnee Smollet-Bell, Ella Jay Basco, Mary Elizabeth WinsteadRosie Perez.

No painel, Robbie comentou o caráter feminista do filme e falou: “o feminismo não é apenas para as mulheres, os caras também devem entrar nessa”.

A atriz e produtora também adiantou que o grupo é formado por amigas incomuns, mas que acabam se tornando próximas por uma série de situações em Gotham City. Todas possuem um estilo de arte marcial diferente, e a única que possui um super-poder é a Canário Negro (Smollet-Bell), a de cantar em uma frequência extraordinária.

Robbie já está filmando a personagem novamente na continuação de Esquadrão Suicida.

A CCXP 2019 continua até domingo, 8, e ainda deve gerar muitos comentários com participações como a de Kevin Feige, o chefe da Marvel, e a de Patty Jenkins e Gal Gadot, falando sobre Mulher Maravilha 1984. Todos os ingressos já estão esgotados.

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CCXP 2019: Quadrinistas celebram 80 anos do Batman em tributo

Painel reúne artistas brasileiros e estrangeiros que marcaram a história do personagem dos anos 1960 até os dias de hoje

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 20h43

O primeiro dia da Comic Con Experience - CCXP 2019 foi marcado, entre outros eventos, por uma celebração dos 80 anos do Batman. A ocasião, que motivou até o cartaz do evento a trazer uma arte de Mike Deodato Jr com o Homem-Morcego, reuniu vários quadrinistas que marcaram época no comando do personagem.

A velha-guarda dos quadrinhos foi representada por Neal Adams, artista de 78 anos que ajudou a revitalizar o Batman na década de 1970, quando sua popularidade já estava em baixa mais de 30 anos após debutar nas páginas da revista Detective Comics, quando foi concebido por Bob Kane e Bill Finger, em 1939. “É muito interessante interpretar o Batman, mas nós, artistas, ainda não sabemos exatamente o que é o personagem. Quando você ajuda alguém sem pedir nada em troca, você é o Batman também”, afirmou Adams, que foi ovacionado pela plateia quando disse que “o Coringa é a insanidade que cria alguns presidentes”. Adams marcou época com sua bem-sucedida parceria com o roteirista Dennis O’Neil, com quem criou alguns personagens secundários, como o vilão Ra’s al Ghul, além de restabelecer o status de antagonistas clássicos, como o Coringa e o Duas Caras.

O brasileiro Rafael Grampá, que está colaborando com o lendário roteirista Frank Miller em uma nova sequência de O Cavaleiro das Trevas, disse que acrescentou prédios e detalhes da cidade de São Paulo em sua versão de Gotham. “O que se pode fazer de novo no Batman? Ele já tem 80 anos, todo mundo já fez de tudo. Mas, então, você tem uma ideia, e ela sempre pode funcionar. Por isso é um personagem tão mágico”, disse Grampá.

O quadrinista Frank Quitely, que ficou conhecido por sua versão de Batman e Robin de 2009, concorda com Grampá: “Sempre haverá um Batman, o personagem continua evoluindo ainda hoje”. No entanto, ele brincou: “São Paulo poderia ser uma boa Gotham, mas o trânsito certamente atrapalharia o Batman”.

Outro quadrinista que integrou a discussão sobre o personagem foi Mikel Janin, artista espanhol que migrou do terreno independente para as HQs de super-heróis e trabalhou na versão mais recente do Batman, escrita por Tom King. “A questão desse arco é se é possível Batman ser feliz sem desistir de ser um vigilante”, explicou o artista. 

Já o argentino Eduardo Risso confessou que não sabia nada sobre o personagem quando a DC o convidou para desenhá-lo. “Hoje eu faria muitas coisas diferentes”, brincou ele. 

O painel sobre os 80 anos do Batman será reeditado no sábado, 7, às 18h, no Auditório Ultra, e contará com participação de Frank Miller

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    Ator Iain Glen cancela participação na CCXP

    Personagem Jorah Mormont, de 'Game of Thrones', teve, segundo a organização do evento, problemas de agenda durante gravações na Itália e não conseguiu embarcar para o Brasil

    Redação, O Estado de S. Paulo

    05 de dezembro de 2019 | 15h50

    O ator Iain Glen, que interpreta o personagem Jorah Mormont, de Game of Thrones, teve sua participação cancelada na CCXP 2019, que estava marcada para esta quinta (5). Segundo a confirmação feita pela organização do evento, o cancelamento se deu por “um atraso na agenda” de gravações do artista, o que o impediu de embarcar para o Brasil. Ele sairia de trabalhos na Itália para vir a São Paulo. Glen é conhecido ainda pelos papéis de Dr. Isaacs em Resident Evil e por ser Bruce Wayne na série Titãs, da Netflix.

    Pelo Twitter, a CCXP confirmou o cancelamento e deu informações para quem havia comprado ingressos: “Acabamos de ser informados de que o ator Iain Glen teve um atraso em sua agenda de gravações e não embarcou para vir à CCXP19. Estamos MUITO decepcionados e lamentamos que isso tenha ocorrido, ainda mais na última hora. Todos que compraram ou agendaram sessões de Fotos & Autógrafos receberão seu dinheiro ou o crédito de agendamento de volta. Para mais informações, por favor entrar em contato com a nossa central de atendimento em atendimento@ccxp.zendesk.com".

    Tudo o que sabemos sobre:
    Iain GlenComic Con Experience

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    CCXP19 recebe Owen Dennis, criador de ‘Trem do Infinito’

    O artista, que também dirigiu ‘Apenas um Show’, vem divulgar a segunda temporada de seu novo desenho

    Maiara Santiago, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

    05 de dezembro de 2019 | 06h00

    Owen Dennis, criador do famoso desenho Apenas Um Show, já está de malas prontas para o Brasil, onde vai participar de um painel na Comic Con Experience (CCXP) 2019, já na próxima sexta-feira, 6, no Auditório do Cinemark XD. No entanto, o convidado do Cartoon Network vem para divulgar a segunda temporada de seu novo trabalho, o Trem do Infinito - um pouco menos conhecido.

    Apenas um Show foi cancelado em 2018, após oito temporadas. Ele começou em 2005. Mas esse não foi o foco de Owen durante a conversa que teve por telefone com o Estado. Ele quer mesmo é falar de Trem do Infinito. “Estou muito ansioso para falar com o público sobre o show, do que ele se trata e o que eles podem esperar com a chegada da segunda temporada.”

    O desenho conta a história de Tulip, uma jovem de 12 anos, filha de pais separados e que vem de um lar disfuncional. Com uma pegada ultramoderna, a personagem é uma programadora de jogos e, consequentemente, uma gamer. Durante uma briga com a mãe, ela foge até a floresta e embarca em um trem misterioso, onde conhece o robô One-One. Porém, as coisas fogem de controle assim que ela percebe que cada vagão é um mundo particular e interminável, que não permite brecha para uma fuga.

     

    No Brasil

    Com uma estreia tímida, o desenho foi exibido pela primeira vez no Brasil em 2016, sem dublagem e com legendas em inglês. Tudo muito simples. No entanto, para quem acompanhou com atenção, foi possível perceber a mensagem de inclusão que há por trás da ficção.

    “Quero transmitir sentimentos de empatia e falar da necessidade da mudança. Quero mostrar que todos nós somos diferentes e que temos problemas em nossas vidas, mas que, mesmo sem perceber, estamos lidando diariamente com eles.”

    E, acredite, nada aqui é mera coincidência. O fato de Tulip carregar em si tantas características fortes e muito específicas, como o fato de vir de um ambiente agressivo, em que brigas e decepções são constantes, é aquele detalhe a mais que faz todo sentido no final.

    “O que torna a pessoa perfeita para embarcar no trem é o fato de que esse é um local hostil e que somente pessoas que já lidaram com eventos incontroláveis, como o fato de seus pais se divorciarem, por exemplo, conseguem sobreviver em um universo ilógico onde as regras nem sempre são válidas. Mas, além da viagem, o mais importante é ver o que se aprende após passar por uma experiência tão intensa”, explica.

    Aos fãs, e navegantes de primeira viagem que também se apaixonaram por Tulip, temos um spoiler: a jovem volta para a segunda temporada, ainda sem data de estreia no Brasil. “Agora é a hora de vermos o que mudou após os eventos da primeira temporada”, finaliza.

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    CCXP quer ser evento global da indústria

    Festival brasileiro já é recordista em público; agora, busca novidades impactantes

    Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

    05 de dezembro de 2019 | 06h00

    A sexta edição da CCXP - antiga Comic Con Experience - começa oficialmente nesta quinta-feira, 5, com o line up mais estrelado de sua história e com a clara ambição de se tornar um evento global. A presença de nomes como o chefão da Marvel, Kevin Feige, e o diretor (J. J. Abrams) e o elenco principal (Daisy Ridley, John Boyega e Oscar Isaac) do novo Star Wars são demonstrativos de que o evento, já recordista de público entre as diversas feiras de cultura pop do mundo, pode ganhar relevância também em anúncios e novidades impactantes na indústria - papel que ainda fica reservado à Comic Con de San Diego, nos EUA, quase que com exclusividade.

    Aqui, são 115 mil metros quadrados no São Paulo Expo, na zona sul da capital paulista. Todos os ingressos já estão esgotados - as entradas começaram, no primeiro lote, a partir de R$ 90 por dia e chegavam a R$ 8 mil, na experiência completa, que dava direito a fotos e autógrafos de artistas, lounge VIP entre outras atrações. O evento tem um impacto, segundo a produção, de R$ 265 milhões em São Paulo. São esperadas 280 mil pessoas nos quatro dias.

    Muito do que torna a CCXP um sucesso de público é o conceito que a Omelete Company, empresa organizadora e idealizadora, aplica ao evento. “O princípio básico é que nunca vimos isso como uma feira”, explica o CEO da Omelete, Pierre Mantovani. “Feira é quando tem um estande, e o visitante não comanda a experiência, vai apenas pegar panfleto. O que nós temos aqui é um festival de cultura que acontece mesmo chovendo, porque é coberto. A permanência aqui dentro é de 8 horas. Todas as ativações e as formas que as marcas se relacionam com os visitantes são para brincar, interagir e se divertir.”

    Entre as ativações deste ano, está uma réplica do Expresso de Hogwarts, o trem de Harry Potter, feito com a supervisão de Alan Gilmore, diretor de arte da franquia. No estande da Warner, os visitantes podem visitar um bar das Aves da Rapina e fazer as maquiagens das personagens, ou sentar e tirar fotos no sofá de Friends. No espaço da Turma da Mônica, os fãs poderão montar vídeos, em um estúdio chroma-key, dentro do ambiente dos quadrinhos e depois compartilhar nas redes sociais. São 70 marcas presentes, e 15 estúdios de Hollywood e plataformas de streaming.

    Terminou ainda nesta quarta-feira, 4, o Unlock CCXP, espaço dedicado ao desenvolvimento da indústria do entretenimento. Foram 70 palestrantes de diversos segmentos debatendo e apresentando ideias de inovação para a área. “Não fomos só nós que evoluímos, foi o mercado como um todo”, diz Mantovani. Para ele, a CCXP provou que investir no fã (com experiências dedicadas ao visitante) vale a pena. No Unlock, também foram divulgados os dados da pesquisa Geek Power 2019, com um perfil e amostra dos hábitos de consumo do público geek brasileiro, feita em parceria com o instituto MindMiners (veja dados abaixo).

    Mas provavelmente o maior destaque da CCXP deste ano seja mesmo o time de atores, diretores e escritores que o festival traz ao Brasil. Além dos 530 quadrinistas do Artists’ Alley (“coração” da feira, com exposição de quadrinhos, artes e sessões de autógrafos), e dos nomes citados no primeiro parágrafo deste texto, estarão em painéis ao longo dos quatro dias gente como Margot Robbie (e o restante do elenco de Aves de Rapina), Gal Gadot e Patty Jenkins (falando de Mulher-Maravilha 1984) e Frank Miller, o criador do Cavaleiro das Trevas. Não é pouco.

    DADOS DA PESQUISA GEEK POWER 2019

    63% dos geeks no Brasil são homens, e 37%, mulheres. 38% têm até 24 anos; 40% têm entre 25 e 34 anos; 22% têm entre 35 e 54 anos. Em questões familiares, 72% são solteiros e 87% não têm filhos. A separação em renda fica assim: Classe A (12%), Classe B (30%), Classe C (28%) e D (30%).

    56% têm ensino superior completo ou cursando. 5% têm mestrado ou doutorado e 16% possuem alguma especialização. No estilo de vida, 79% dizem estar tentando se alimentar de maneira mais equilibrada e 54% praticam algum exercício físico, como musculação e corrida.

    94% assinam serviços de streaming para vídeos, e 62% usam o Spotify durante a semana. As séries mais aguardadas pelos geeks em 2020 são Stranger Things, La Casa de Papel e Falcão e o Soldado Invernal. E os filmes são Mulher-Maravilha 1984, Black Widow e Os Eternos.

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      'Hoje todo mundo é geek, mas ninguém percebeu', diz CEO da CCXP19

      Pierre Mantovani fala sobre as expectativas para o evento que começa nesta quinta-feira, 5, em São Paulo

      André Cáceres, O Estado de S.Paulo

      04 de dezembro de 2019 | 07h00

      De Maurício de Sousa aos Vingadores, o mundo da cultura pop se reúne em São Paulo esta semana para a 6ª edição da Comic Con Experience (CCXP) começa nesta quinta-feira, 5, já com seus ingressos esgotados. 

      “Somos a maior Comic Con do mundo pelo terceiro ano seguido”, afirma Pierre Mantovani, CEO da CCXP. A lotação máxima foi atingida pela primeira vez este ano, demonstrando a evolução do evento criado em 2014. Esperando um público de 280 mil pessoas, a CCXP terá cerca de 100 mil pessoas a mais que a tradicionalíssima San Diego Comic-Con, feira criada em 1970 e que foi a inspiração para o evento brasileiro. 

      Para Mantovani, a proporção que a CCXP tomou no País é um reflexo da própria sociedade: “Hoje em dia, todo mundo é geek, mas ninguém percebeu. Tem muito mais gente assistindo a séries, jogando videogames, do que vendo novela.”

      Para atender a essa demanda, durante os quatro dias de evento, o público terá acesso a palestras de artistas estrangeiros e nacionais; oficinas de quadrinhos; discussões sobre o atual estado da cultura nerd, além de lojas e estandes com atrações de empresas e estúdios de cinema.

      Alguns dos principais destaques da programação da feira são os painéis com os elencos de filmes aguardados, como Star Wars: A Ascensão Jedi e Mulher-Maravilha 1984

      Séries de TV e streaming como The Boys (Amazon Prime Video), La Casa de Papel (Netflix) e His Dark Materials (HBO) também terão apresentações com seus elencos, provando a relevância desse formato para a cultura pop atualmente.

      Como não poderia deixar de ser, no entanto, o coração da feira são os quadrinhos. No ano em que o Batman completa oito décadas, grandes nomes que contribuíram com o personagem, como Frank Miller, Neal Adams, Joelle Jones, Mikel Janin e Frank Quitely, terão painéis para falar sobre o Morcego. Entre os representantes brasileiros, Mike Deodato Jr., Rafael Grampá, Laerte, Rafael Coutinho e Joe Prado são alguns dos quadrinistas que devem palestrar. 

      Embora a música não seja o foco do evento, os visitantes da feira também poderão conferir shows das bandas brasileiras Far From Alaska, Fresno, Supercombo e Scalene.

      É esperado que a CCXP movimente ao todo R$ 265 milhões na cidade de São Paulo, o que chama atenção também para o impacto econômico da cultura de modo geral. “Se somar todas as indústrias que estão aqui, games, cinema, música, a economia criativa é muito grande e ainda há muita oportunidade de crescer, o Brasil deveria surfar mais nessa onda e investir em cultura”, acredita Mantovani.

      A CCXP ocorre na São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda) de 5 a 8 de dezembro de 2019, e fica aberta nos seguintes horários: quinta-feira e sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h. Fique por dentro da programação completa do evento.

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      Encontro de Frank Miller com Rafael Grampá vai ser um dos pontos altos da CCXP19

      Em conversa com o público, dupla vai revelar detalhes do livro 'The Dark Knight Returns: The Golden Child'

      Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

      04 de dezembro de 2019 | 07h00

      Um abraço afetuoso, nesta quarta-feira, 4, vai significar mais que o reencontro de dois amigos que não se veem desde julho - de uma certa forma, vai dar também o início informal da Comic Con Experience 2019, ou CCXP19, como já é conhecida uma das maiores celebrações da cultura pop do planeta e que começa na quinta, 5, em São Paulo. Sim, porque a troca de carinho envolve dois grandes nomes da festa: o desenhista brasileiro Rafael Grampá e o americano Frank Miller, um dos maiores criadores de histórias de HQ da atualidade. Eles vão conversar com o público no domingo, 8, último dia do evento, quando vão revelar detalhes de The Dark Knight Returns: The Golden Child, escrita por Miller e ilustrada por Grampá.

      O livro só será lançado nos EUA no dia 11, mas já causa furor entre os fãs na internet. Todos em busca das migalhas de informação que já foram divulgadas. “É um trabalho que dialoga diretamente e sem rodeios com a realidade do planeta”, conta o brasileiro, surpreendido, na semana passada, quando um dos quadrinhos da obra (exibindo o próprio Jonathan Kent, vestido como homem morcego, prestes a arremessar um coquetel molotov) foi adotado pelos revoltosos de Hong Kong

      The Golden Child marca, depois de quatro anos, o retorno triunfante de Miller ao mundo do Cavaleiro das Trevas e o início da parceria com Grampá, cujo traço incisivo, violento, mas carregado de inteligência, despertou admiradores como o americano de 63 anos. “Rafael foi a escolha óbvia para eu apresentar a nova geração de heróis que são vigorosos e carregados de promessas”, diz ele. De fato, a tal “criança de ouro” é Jonathan Kent, filho do Super-Homem e da Mulher Maravilha. Sua irmã mais velha, Lara, herdou a disciplina amazônica da mãe, bem como os poderes criptonianos do pai. Jonathan era apenas um bebê há três anos e, embora ainda seja criança, ele se tornou agora uma presença poderosa.

      Grampá, hoje com 41 anos, primeiro contatou Miller pelo Twitter, em 2014. “Entrei em um debate promovido por ele, mas, ao responder, Miller marcou todo mundo”, explica Grampá, cujo trabalho logo despertou atenção, pois o americano percebeu as qualidades de seu desenho e, principalmente, das intenções de seus enredos. “Como fã, busquei entender o traço dele para inserir no meu”, disse Grampá, cujo álbum Mesmo Delivery, com experiências gráficas inovadoras, abriu-lhe as portas para manter um contato constante com o americano. A ponto de Miller convidar Grampá para trabalhar no que seria The Golden Child. “Ele queria que eu me mudasse para Nova York. Não foi possível, mas viajei diversas vezes para lá”, relembra Grampá, cujos encontros no estúdio de Miller lhe permitiram entender qual seria a essência do novo álbum.

      “Era 2017 e Miller queria retratar as diversas revoluções que explodiam no mundo”, conta o brasileiro, que fez o desenho de uma manifestação. “Miller gostou e disse que aquela seria a pedra fundamental do trabalho. Assim, comecei a desenvolver como seria Jonathan, seu corte de cabelo, a curvatura dos ombros. Também retrabalhei o perfil de Lara, acrescentando o S no seu peito. Para isso, precisei destruir meu traço para chegar no de Miller - não perdi minha personalidade artística, mas ganhei novos desafios. A partir de agora, vou sempre destruir meu traço antes de começar um novo trabalho.”

      A troca de mensagens entre os dois artistas tornou-se mais intensa, febril. A fim de conseguir terminar o trabalho, Grampá isolou-se no estúdio de um amigo em Amsterdã, na Holanda, onde só pensava em desenhar. “Miller pedia para que os quadrinhos revelassem esse anseio por liberdade que toma conta dos jovens no mundo. Afinal, nos momentos mais críticos da sociedade, são as HQs que inspiram os revoltosos. Primeiro foi o personagem do V de Vingança, agora é o Coringa.” Encerrados os desenhos, Grampá aguardou, ansioso, pelo roteiro de Miller. “É impactante”, diz ele. “Vai provocar mais polêmica, pois vai mexer com outra galera.” 

      O trabalho nasceu da urgência - o brasileiro Rafael Grampá terminou os desenhos do livro de HQ The Dark Knight Returns: The Golden Child exatamente no dia 3 de outubro. E, no início de novembro, recebeu os diálogos criados pelo americano Frank Miller. O livro está previsto para sair nos EUA exatamente daqui uma semana, no dia 11 - ainda não há previsão para o Brasil. “Foi grande a emoção ao ler a história criada pelo Frank”, conta Grampá. “Nosso álbum é um rock’n’roll com algo novo. Traz elementos do primeiro Dark Knight, mas com mais frescor, especialmente pela influência desse momento conturbado em que vive o mundo hoje.”

      De fato, a dupla encerrou o trabalho o mais tarde possível para captar com mais vigor a pulsação do planeta. O discurso de figuras como a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que denuncia a ineficiência dos países no combate contra o aquecimento global, por exemplo, foi decisivo. “Nossa história traz um forte conteúdo político e conversa com esse acordar de pessoas que se destacam”, explica Grampá.

      The Golden Child marca o retorno de Frank Miller ao fascinante universo do Cavaleiro das Trevas, cuja fase atual teve início em 1986, quando os fãs de quadrinhos do mundo inteiro se surpreenderam com um novo olhar para Batman. Aos 55 anos, o Homem Morcego interrompeu a aposentadoria para combater o crime, despertando a oposição da força policial de Gotham City e também do governo dos Estados Unidos. A história revelou Carrie Kelley como o novo Robin e culminou com um confronto contra o Superman.

      O Cavaleiro das Trevas representou um divisor de águas no mundo dos quadrinhos ao lado de Watchmen, de Alan Moore (HQ publicada no mesmo ano) e Maus, de Art Spiegelman (1988), todas estabelecendo padrões para histórias adultas em um universo que se acreditava essencialmente juvenil. Assim, personagens consagrados foram remodelados, ganhando mais complexidade psicológica.

      Miller publicou um segundo volume em 2001, The Dark Knight Strikes Again, que não emocionou a crítica, mas conquistou enorme sucesso comercial - o destaque aqui foi a transformação de Carrie Kelley em Batwoman. Em 2015, foi lançada The Dark Knight III: The Master Race, em nove edições. Aqui, o leitor passa a acompanhar a trajetória de Lara, filha do Superman e da Mulher Maravilha, de quem herdou os principais poderes e qualidades. Ali, Jonathan, irmão caçula de Lara, ainda era um bebê, embora já tivesse relevância por ser o motivo de uma batalha entre as amazonas e os criptonianos de Kandor.

      Finalmente, em The Golden Child, o pequeno Jonathan assume também o protagonismo ao revelar um poder até então desconhecido e que será decisivo contra uma força do mal que volta a aterrorizar Gotham City - Lara Kent e Carrie Kelley (que já assumiu totalmente a identidade de Batwoman) descobrem a força do garoto e a utilizam no combate. “Ele tem poderes muito além da nossa compreensão”, conta Miller, em entrevista por e-mail ao Estado. “Sobre os irmãos, eu diria que Lara é a mais forte, enquanto Jonathan é o mais sábio.”

       

      Batman

      Questionado sobre a emoção de retornar a um personagem tão icônico como Batman, Miller não vacila: “Ele certamente é essencial, pois, juntamente com o Superman e da Mulher Maravilha, eles representam uma tríade de heróis aos quais gosto de voltar. Batman é aquele que assusta os outros, justamente por ser o personagem menos previsível”.

      Miller acompanhou e fez poucas sugestões na concepção gráfica dos super-heróis elaborada por Grampá. Sua admiração pelo trabalho do brasileiro, aliás, destrava a língua: “Eu queria trabalhar com Raf tão logo descobri seu trabalho - entre os novos talentos que surgiram, ele é o que mais me empolgou em muito tempo”.

      O criador americano diz se sentir lisonjeado principalmente pelos filmes do Batman adaptados da série Cavaleiro das Trevas, o que comprova o vigor da narrativa criada por ele. Finalmente, Frank Miller revelou sua satisfação ao assistir Coringa e descobrir que o personagem carrega traços da forma que ele mostrou em O Cavaleiro das Trevas, ou seja, um homem que se transforma em assassino. “E Joaquin Phoenix foi uma excelente escolha.”

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