CCSP exibe coleção de Sérgio Milliet

Um dos acervos mais representativos do movimento modernista será exibido ao público a partir de amanhã para uma dupla comemoração no Centro Cultural São Paulo. Modernismo: da Semana de 22 à Seção de Arte de Sérgio Milliet registra os 80 anos do famoso movimento e o aniversário da cidade. Reúne obras de dezenas de artistas importantes como Volpi, Tarsila do Amaral, Goeldi, Milton Dacosta e Di Cavalcanti, entre outros, reunidas pelo intelectual Sérgio Milliet nos anos em que chefiou o Departamento de Cultura da Biblioteca Municipal de São Paulo, hoje Biblioteca Mário de Andrade.Como participante e divulgador do modernismo, Milliet conviveu com vários dos mais significativos artistas do período e tornou-se amigo íntimo de muitos deles. Isso lhe possibilitou a formação de uma preciosa coleção de obras menores - a maioria em papel - mas ainda bastante representativas. O acervo é considerado a primeira coleção pública de arte moderna no Brasil. Essa coleção faz parte hoje do acervo da Pinacoteca Municipal e raras vezes foi reunida em mostra com acesso ao público.A partir de Anita Malfatti, presente com uma pequena gravura da década de 10, até um Frans Krajcberg, é possível ter uma noção aprofundada da abrangência do movimento, de suas origens ao legado que deixou às artes visuais brasileiras. A presença de um crítico como Milliet à frente de um dos principais órgãos de cultura de São Paulo nas décadas de 30, 40 e 50 revela como a Semana de 22 foi rapidamente absorvida pela cultura da metrópole. Na mesma época, Mário de Andrade, um dos líderes do movimento, chegava ao órgão controlador da cultura da cidade, que, ao longo das décadas, iria desbancar o Rio como principal pólo artístico do País.O acervo formado por Milliet até se aposentar em 1959 mostra a trajetória de uma arte que repudiava a escola acadêmica e a tradição. Desde o nacionalismo de uma Tarsila e um Cícero Dias até formas mais abstratas e a exaltação da velocidade das transformações da São Paulo industrial da metade do século, as artes plásticas praticaram alguns dos princípios mais caros ao movimento: a experimentação e a pesquisa estética.Oito décadas depois da explosão detonada no Teatro Municipal, que poucos na época levaram a sério, o público terá oportunidade de conferir como o movimento de 22 interferiu nos rumos da cultura brasileira do século 20.Modernismo: da Semana de 22 à Seção de Arte de Sérgio Milliet. Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, tel.: 3277-3611). Abertura hoje para convidados e a partir de amanhã para o público. Até 28 de fevereiro, das 10h às 18h. Entrada franca.

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