CCBB mostra importância dos diretores de fotografia

Ícone da beleza, Marlene Dietrich capturava a atenção do espectador tão logo entrava em cena, independentemente do filme. Além do carisma inerente da atriz, a técnica cinematográfica também contribuía para tamanho magnetismo: para que ela tivesse as maçãs do rosto salientes, a luz ficava atrás da câmera, mas sempre acima da atriz. E, nessas condições, só podia estar em uma posição. Daí o mérito do diretor de fotografia, função que, cada vez mais, reafirma o potencial estético da sétima arte. É o que pretende comprovar a mostra Arte em Movimento - A Fotografia no Cinema, que começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil. Com a curadoria do cineasta e jornalista Gustavo Galvão, o festival apresenta 20 longas, entre clássicos e contemporâneos e cujo interesse principal é ressaltar o caráter didático e o valor histórico. A seleção buscou valorizar também a cultura geral como decisiva na formação de um fotógrafo de cinema. Ou seja, não basta ser um tecnicista, mas ter uma formação clássica (principalmente em literatura e artes plásticas) que enriqueça a visão. Diretores de fotografia, como o cubano Nestor Almendros ou o italiano Vittorio Storaro, exibem em seu trabalho uma delicadeza rara de quem não apenas domina a técnica. Para reforçar tal proposta, está programada para terça-feira uma palestra com o diretor de fotografia Walter Carvalho (Central do Brasil, Lavoura Arcaica e Madame Satã, que figura na programação), convidado a discutir seus métodos de trabalho, além das relações do cinema com as outras artes. O encontro vai permitir que, apesar das diversas especificidades técnicas conquistadas ao longo dos anos, a visão humana acompanhou a evolução do cinema, ou seja, do muito simples ao mais complexo. Carvalho deverá falar, por exemplo, sobre o uso cada vez mais constante das câmeras digitais, cuja fácil mobilidade ainda contrasta com uma limitação técnica, distinta da película, ainda preferida para histórias que exigem uma imagem mais realista. Também está programado o lançamento de um catálogo, que servirá de referência para estudantes e profissionais, apresentando conceitos básicos de cinematografia, histórico, biografia de 180 diretores de fotografia e bibliografia essencial. A programação da mostra traz trabalhos dos brasileiros Affonso Beato, Edgar Brasil e Walter Carvalho, representados, respectivamente, pelos filmes Tudo sobre Minha Mãe (Pedro Almodóvar), Limite (Mário Peixoto) e Madame Satã (Karim Ainouz). A lista é completada pelo trabalho de diretores de fotografia estrangeiros, clássicos como Pickpocket (1959), O Touro Indomável (1980), Acossado (1960), Gritos e Sussurros (1972) e O Leopardo (1963), entre outros. Os filmes oferecem amplo painel da importância da fotografia, desde a granulação do preto-e-branco, como o fez Michael Chapman em O Touro Indomável, até o maior plano-seqüência da história, de Tilman Büttner, em Arca Russa, dirigido por Alexandr Sokurov: sem nenhum corte, Büttner leva ao limite todas as possibilidades da câmera digital. Arte em Movimento - A Fotografia no Cinema. Hoje, 15 h, Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra; 17 h, Portal do Inferno (1953), de Teinosuke Kinugasa; 19 h, O Leopardo (1963), de Luchino Visconti. Centro Cultural Banco do Brasil (69 lug.). R. Álvares Penteado, 112, 3113-3651, R$ 4. Até 21/5.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.