CCBB de São Paulo já recebe projetos para 2001

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) chega a São Paulo. Desde o início do mês, a instituição está recebendo projetos de espetáculos e eventos para 2001. O orçamento inicial é de R$ 7,5 milhões, cifra que deve crescer através de parcerias com outras empresas. A inauguração será em abril do ano que vem, por causa do atraso nas obras no velho prédio da esquina das ruas Álvares Penteado e Quitanda, no centro da cidade.De acordo com Jussara Guedes de Oliveira, gerente do CCBB em São Paulo, há uma preocupação com a preservação do patrimônio. "Teremos o privilégio de contar com acervo de colecionadores e do próprio banco, buscando resgatar a memória da cidade e apoiar a revitalização do centro de São Paulo. Mesmo com a demora de dez anos, devido a trâmites das leis de restauro optamos pela revitalização daquele prédio," explica Jussara. A intenção dos organizadores é utilizar o espaço interno do edifício, assim como o calçadão. O espaço interno deverá ser todo ocupado e funcionar, ininterruptamente, de terça a domingo com programação para todos os tipos de público.Os autores de projetos envolvendo artes cênicas (teatro, dança, ópera, mímica e outras variações dessas formas de expressão), artes visuais (sem privilégio para qualquer tipo de suporte), audiovisual (cinema, vídeo etc.) idéias (palestras, cursos), música (popular e erudita) e educação devem procurar o formulário de inscrição no portal do Banco do Brasil e enviá-lo por e-mail até 9 de dezembro. No início do ano, os nomes escolhidos serão divulgados."Uma característica do CCBB é a curadoria única e sem um tema definido. A partir dos projetos que chegam, é montada a programação. Não são examinados currículos, apenas os projetos, o que garante um espaço aberto tanto para iniciantes como para pessoas mais experientes", diz Jussara.Também é importante destacar que a programação será concebida especialmente para a cidade de São Paulo. "Apesar da experiência que temos no Rio de Janeiro e em Brasília, São Paulo terá uma programação que corresponda às suas características e peculiaridades", diz a gerente de São Paulo.Dos R$ 50 milhões que o Banco do Brasil investirá em marketing no ano que vem (fora das leis de patrocínio), cerca de R$ 20 milhões ficam com os três CCBBs. O pioneiro, do Rio, que assim como o de Brasília já encerrou a fase de seleção de projetos para 2001, terá verba semelhante ao de São Paulo. O da capital federal receberá R$ 5 milhões. O restante vai para os Circuitos Culturais Banco do Brasil, uma espécie de campus avançado dos CCBBs, instalados em capitais brasileiras por períodos entre três e dez dias."Em qualquer projeto, o objetivo é sempre o mesmo: fomentar a produção cultural local, formar platéias e trazer eventos nacionais e internacionais para as cidades escolhidas. Apesar disso, cada CCBB tem particularidades, programação e administração próprias", diz o diretor de Marketing e Comunicação do banco, Renato Naegele. "Nos últimos anos, temos incentivado também parcerias com nossos clientes, pois a aproximação através do marketing cultural é sempre mais eficiente."Os exemplos são muitos. O diretor do CCBB do Rio, Walter Vasconcelos, comenta que a Embratel, co-patrocinadora da série de shows Um Século de Música Brasileira, realizada este ano, aferiu em pesquisa que 73% do público ligou o nome da antiga estatal ao evento. Além disso, as parcerias são uma forma de conquistar espaço no mercado bancário, atividade fim do Banco do Brasil. "No caso do Circuito Cultural, toda a estrutura de serviços (hotelaria, montagem de palcos e exposições, seguros etc) é contratada no local, empresas que se tornam possíveis clientes", diz Naegele.A cidade - Se os benefícios são grandes para o banco, para a cidade representam uma mudança para melhor. Walter Vasconcelos lembra que as imediações do CCBB carioca (próximo à igreja da Candelária, uma área não residencial) eram ermas e perigosas. Onze anos depois da inauguração (em outubro de 1989), a Casa França Brasil, do governo do Estado, e o Centro Cultural dos Correios se instalaram na área e o comércio tem movimento até depois de 22 horas. "Em São Paulo, recebemos consultas de donos de imóveis vizinhos para saber se vale a pena vendê-los e por que preço", conta Vasconcelos. "Eles sabem que a inauguração do CCBB lá vai valorizar suas propriedades."No Rio, há um público que vai ao centro cultural independentemente da programação: sempre duas peças em cartaz, além de shows, exposições, rodas de leitura, exibição de filmes e vídeos, palestras e eventos voltados para alunos de 1.º Grau. Isso sem contar com o restaurante e a casa de chá, a biblioteca e o Museu da Moeda, que guarda exemplares antigos, alguns com mais de 300 anos de idade.A média mensal de público do CCBB do Rio é 150 mil de pessoas, número que se pretende aumentar em 20% até 2002. Para isso, o centro vai crescer até o fim do ano, ganhando uma nova sala de exposição (além das duas que já existem). "Cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano é um público recorde, pois o museu do Louvre, em Paris, recebe 1,4 milhão de visitantes no mesmo período", compara Vasconcelos.A filosofia é a mesma nas três capitais. A versão carioca recebe cerca de 600 propostas de projetos por ano e uma comissão seleciona cerca de 80. "Isso não quer dizer que cariocas não vão se apresentar no CCBB de São Paulo ou vice-versa", avisa Vasconcelos. "Este ano, tivemos o paulista Antônio Abujamra e, em 2001, teremos José Celso Martinez e Paulo Tolentino. Os cariocas também serão bem-vindos em São Paulo."

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