CCBB abre hoje retrospectiva 'Aguilar 50 anos' em SP

Quando tinha 22 anos, o artista José Roberto Aguilar participou da 7.ª Bienal de São Paulo, em 1963, com quadros coloridos e de cores vibrantes, nos quais figuras se conectam nas composições, como seres híbridos da natureza. "Era o auge do abstracionismo e causou certo rebuliço essa espécie de realismo fantástico que eu estava fazendo", diz Aguilar, hoje, aos 69 anos. Ele ia todos os dias à Bienal acompanhar o que as pessoas achavam de suas obras e agora são as três pinturas que ele exibiu no evento, na década de 1960, que abrem o percurso cronológico de "Aguilar 50 Anos", retrospectiva do artista aberta hoje ao público, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo.

AE, Agência Estado

11 de maio de 2010 | 09h37

Pintor, videomaker, performer, escultor, escritor, músico e curador, Aguilar já fez um pouco de tudo - criou, até mesmo, na década de 1980, a Banda Performática (com Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, entre outros). Mas, antes de qualquer coisa, considera que todas as suas criações nasceram da pintura. "Até a literatura que escrevo é do pictórico", diz o artista - e, sendo assim, são os quadros que se tornam o fio condutor de sua retrospectiva.

Por todos os andares do CCBB, há mais de 75 pinturas, de tamanhos variados e compreendendo sua carreira da década de 1960 até hoje - no hall central do prédio, ainda, a instalação "Vestidos de Noiva" é uma composição de 15 quadros pendurados, todos eles feitos de composição com as roupas prensadas em plástico e pintadas com cores diversas. "É como estar surfando: a gente só se enxerga com o olhar dos outros", afirma Aguilar sobre essa oportunidade de ver sua carreira exibida e condensada na mostra. "É horrível fazer uma retrospectiva. Fiz um distanciamento e comecei a ver as pinturas como se não fossem minhas", diz Aguilar. Segundo ele, a exposição é, na verdade, um ''trailer'' para um grande livro que a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo vai lançar no segundo semestre sobre sua carreira.

A retrospectiva de Aguilar é uma mostra cronológica e didática. O artista, que cursava economia, mas participava, desde 1958, do movimento Kaos de literatura e começou a pintar na década de 1960, sempre foi um experimentador. Seu ateliê na Rua Frei Caneca, 348, era, na época, polo de reunião de comunistas e de gente da direita, mas, antes de tudo, espaço para a criação. As informações são do Jornal da Tarde.

Aguilar 50 Anos. Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112. Tel. (011) 3113-3651. De ter. a dom., das 10h às 20h. Grátis. Até 17/7.

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