CBS cede à pressão e suspende série sobre Reagan

A pressão funcionou. Acusada por grupos conservadores de distorcer as ações do ex-presidente Ronald Reagan, a rede americana CBS anunciou hoje que tirou de sua grade a minissérie The Reagans e a licenciou ao canal Showtime. Ambas as emissoras pertencem ao conglomerado Viacom, mas o primeiro é um canal aberto, e o segundo é pago. Em comunicado, a CBS afirma que, apesar da produção e atuações impressionantes, o programa não apresenta um retrato equilibrado da família Reagan "para a CBS e sua audiência". Acrescenta que, como TV aberta, a CBS tem padrões diferentes do canal Showtime.The Reagans era uma das grandes apostas da CBS para o fim do ano. Com James Brolin no papel do presidente, deveria ir ao ar no dia 16 de novembro, um domingo. Mas a versão apresentada da família Reagan levantou polêmica, e partidários do ex-presidente, que hoje sofre do Mal de Alzheimer, reagiram. O comitê nacional do Partido Republicano, o mesmo de Reagan, disse à CBS que os historiadores deveriam rever os fatos narrados no programa. O filho do ex-presidente, Michael, disse à ABC que gostaria que a CBS mostrasse o "bom coração" de seu pai.Conforme trecho do script reportado pelo New York Times, a série mostrava, entre outras coisas, que Reagan desdenhava do drama dos portadores de HIV. Concedia que, ao final de seu governo, a guerra fria se encerrava. Mas não fazia alusão alguma à recuperação econômica dos Estados Unidos, um dos principais troféus dos republicanos. Ronald Reagan governou os Estados Unidos de 1981 e 1989, tendo por vice George Bush. Sobreviveu a um atentado a tiros em 1981, a um câncer de cólon, extirpado em 85, um de próstata, em 87, e outro de pele. Desde 1994, quando revelou sofrer do Mal de Alzheimer, deixou de aparecer em público.

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