Chang W. Lee/The New York Times
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O ser humano, esse pândego, quer a glória do pódio, viver para sempre e ser feliz

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 03h00

O ser humano, esse pândego, quer a glória do pódio, viver para sempre e ser feliz. Não bastasse o sucesso absoluto, a trindade deve se realizar ininterruptamente, sem dar paz ao vivente no transbordo de conquistas, ou seja, só ganhar. Fracasso é para os outros. Ainda mais em tempos de Paralimpíada – aqui peço licença e lanço mão das diversas razões amealhadas por Sergio Rodrigues; sou contra grafar assim, Paralimpíada; optaria, se me fosse dado o direito de escolha, por Paraolimpíada; contração, nesse caso, só vale para grávidas. Nada a fazer.

As dores da ausência, sangue suado pelos poros, dente ou braço quebrado, quem sabe os dois. Tudo isso na preparação, meses, anos antes de atletas perseguirem as medalhas. Um filme de três minutos retrata de forma límpida o que é esse processo. Assista, antes que as luzes do estádio em Tóquio sejam apagadas neste domingo: rinayang.com/super-human.

Chama-se Super.Human., assim mesmo, com pontos depois de cada palavra. Humor inglês de primeira até no título. Ficou restrito ao Channel 4, da Inglaterra, para saudar as equipes dos Jogos Paralímpicos. Merece ser visto pela delicadeza na abordagem, humor e qualidade técnica – o site onde está o filme é da própria diretora de fotografia do curta, a japonesa Rina Yang. Não à toa é formada em artes visuais, seu enquadramento de câmera único denuncia. A direção é de Bradford Young, outro talento do cinema. Como diretor de fotografia, teve onze indicações a prêmios por A Chegada, inclusive o Oscar, além de outros filmes conhecidos como Selma e Han Solo – Uma História Star Wars

Super.Human. começa com a atleta inglesa Kadeena Cox, tadinha, dormindo. Tem pesadelos, pressionada por suas futuras performances, verdadeira dor das competidoras. Ela acorda com o despertador e ao som de uma nova versão de So You Want to Be a Boxer, de Bugsy Malone, interpretada no vídeo por Jay Prince (youtu.be/mVZmW59AAgw). A partir daí, é a felicidade da torcida.

Bem possivelmente o vídeo ficaria esquecido em algum canto não fosse uma página no Vimeo dar destaque. O canal chama-se Ladies With Lenses e destaca trabalhos feitos pelas profissionais de cinema (vimeo.com/channels/ladieswithlenses). Ali é possível assistir a mais de mil outros filmes dirigidos ou escritos por mulheres. 

Não bastasse, num 2 de setembro como hoje, em 1896, cantava para subir Pierre de Frédy, depois conhecido como Barão de Coubertin. Foi quem promoveu a volta dos Jogos Olímpicos depois de um hiato de 1.500 anos desde a Grécia Antiga. Fundou o Comitê Olímpico Internacional (COI) e sentou no troninho como primeiro presidente. Sua glória continua a encher os olhos do mundo.

 

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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