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Palco, plateia e coxia
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Caverna.club: Minha caverna é meu mundo

A internet é maior e há muita arte na rede para fazer frente à encafuação compulsória

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2020 | 03h00

E você deve achar que tudo faltará nesse momento em que a sensação é a de ser protagonista de um episódio de Walking Dead. Ledo engano. Não é um episódio, é uma série de dez temporadas e o show nem começou. Mas a internet é maior e há muita arte na rede para fazer frente à encafuação compulsória. Por conta disso vamos botar a coluna ArCênico para dormir até que o teatro volte a seu ritmo eletrizante. Estreia hoje Caverna.club para mostrar a internet como palco em que você poderá ver espetáculos de teatro, dança, shows e obras de arte como se estivesse lá. Ou quase. Se havia dúvidas sobre a importância de artistas para o mundo pode acreditar que elas se encerram aqui. 

WILL É DIGITAL

Claro, não poderia ser outro em questão. O templo do teatro shakespeariano, The Globe, em Londres, tem na rede mundial as principais montagens recentes de todas as peças do dramaturgo inglês. São cobradas, claro, mas vale cada penny: partem de 3 libras para alugar a 13 libras para comprar o vídeo. Ali se pode assistir à montagem de Noite de Reis (Twelfth Night) com um elenco de feras como Stephen Fray, como Malvolio, e Mark Rylance, na pele de Olivia – aliás, como na época do bom e velho Will, homens fazendo as vezes de mulheres. E não bastasse, bem filmado. Há peças com mais de uma montagem e algumas delas em outros idiomas como polonês, persa, japonês ou francês. Mas sempre com legendas em inglês. Basta acessar este link: globeplayer.tv 

PRADO PARA TODOS 

O site do Museu Nacional do Prado, de Madri, é diversão pura. Grandes imagens, informações generosas sobre as obras e um time de artistas que fazem com que o Prado seja pra valer um dos museus mais robustos do mundo digital. Há uma versão em inglês mas a original, na língua nativa, é bem mais completa. O motivo é definitivo. Há uma linha do tempo em que os artistas do acervo se cruzam na história, o que torna a visita ainda mais estimulante. A visita virtual passa por craques das artes visuais como Hieronymus Bosch, Albrecht Dürer, Rafael Sanzio, Ticiano, El Greco, Peter Paul Rubens, Velásquez, Rembrandt e Francisco de Goya y Lucientes. Um massacre de bom gosto. Não bastasse existem ainda cursos online no estilo Mooc (Massine Open Online Course), como os dois que se iniciam esta semana, um sobre Velázquez e o outro sobre El Bosco (autor de La Piedra de la Locura e La Tabla de los Pecados Capitales). Sim, sim, ambos sob a ótica desses artistas no acervo do museu. Cada curso custa 90 euros e tem 15 horas de duração divididas em seis semanas. E tem mais, justamente para que o mortal não precise assistir aos jogos do ano passado da La Liga que têm sido reprisados para ocupar a programação das emissoras na ausência de novos jogos. A Enciclopédia do Prado é de causar inveja: além do perfil de cada artista, escrito por um crítico de arte renomado, há a relação das obras de cada humano genial no museu e uma polpuda bibliografia sobre o que foi escrito sobre. Não sei o que você ainda está fazendo aqui, corra para lá agora: museodelprado.es

3 dicas de Malú Bazán

Diretora e atriz, nasceu na Argentina

1. #EuFicoemCasa

Músicos portugueses fazem pocket shows de meia hora de suas casas. www.instagram.com/festivaleuficoemcasa

2. Arte cubana

Para quem quer conhecer a belíssima arte cubana no Museo de Bellas Artes de Havana. www.bellasartes.co.cu

3. Olhar latino

Retina Latina é o site para assistir a filmes produzidos na América Latina. www.retinalatina.org

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