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Caverna.club: Lorca, poema eterno

Em um mês como este, há 100 anos, Federico García Lorca lançava seu primeiro livro de poemas, não à toa chamado 'Libro de Poemas'

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 03h00

Em um mês como este, há 100 anos, Granada torrava a 30 graus esperando o verão escaldante que se aproximava enquanto Federico García Lorca lançava seu primeiro livro de poemas, não à toa chamado Libro de Poemas, para manter a coerência. Dias antes, o granadino acabara de completar 23 anos, era ótimo pianista e desenhista. Na adolescência, tinha certeza de que seria músico. Muitos talentos para um homem só. Mas a vida, essa bandida, fez dele poeta e dramaturgo, dono de um texto que transitava entre o dramático e o lírico, o raivoso e o racional em poucos segundos, o que não é para qualquer um.

Amor e liberdade

A música não sumiu de sua vida, pelo contrário, o acompanhou durante toda a trajetória, fosse no teatro, com peças que tocavam o povo simples das aldeias com seu grupo La Barraca, fosse nas festas das quais participava, quando sentava ao piano e roubava a atenção e o coração de quem estivesse perto. Lorca foi um farol de sua época, até ser fuzilado por aliados de Franco, há 85 anos a serem completados em agosto. Mas sua poesia transformou-se em libelo pelo amor e pela liberdade, que cruza os tempos com vigor inabalável (bit.ly/3qnWaCO). 

Tão inabalável que os eventos em torno de suas obras são contínuos. Acaba de abrir as portas em Madri uma nova exposição, agora enfocando a confluência das criações de Lorca e de seu amigo Benjamín Palencia, pintor da avant-garde espanhola, que desenhou o logo do grupo teatral La Barraca, da qual foi diretor artístico (bit.ly/3xEPD90). 

Muitos falaram sobre Lorca. Há trechos importantes de especialistas e companheiros nas artes e como o veem e à sua obra passados tantos anos (bit.ly/2UpSa8F). Até um dos maiores dramaturgos brasileiros, sempre o primeiro a valorizar antes os brasileiros, Ariano Suassuna aparece neste vídeo declamando poema de Lorca, uma de suas referências artísticas (youtu.be/sRkghjG0jeo). 

 

 

Dalí e Buñuel

Seu primeiro livro, Impressões e Paisagens, de 1918, mistura desenhos, prosa e alguns poemas, que depois seriam reunidos em 1921 no Libro de Poemas. Em 1919, Lorca ruma a Madri para morar na Resi, a Residência dos Estudantes, onde conhece Salvador Dalí e Luis Buñuel (amzn.to/ 3wRmDek). Este talvez tenha sido o grande portal de sua vida, com a mesma simbologia que representou sua viagem a Nova York, em 1929. Aqui o primeiro capítulo da série sobre o poeta na tevê espanhola (youtu.be/2541fkezv _g).

García Lorca, sim, foi um mito de verdade. Seu corpo, como os de outros 100 mil mortos pela ditadura franquista, nunca foi encontrado. Mas sua obra fala por si, mais viva que nunca, eterna.

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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