WILSON MELO/ESTADÃO - 13/08/1995
WILSON MELO/ESTADÃO - 13/08/1995
Imagem João Wady Cury
Colunista
João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Caverna.Club: 'Hobs' é batuta e popstar

Eric John Ernest Hobsbawm nasceu em 1917, ano da Revolução Russa, em Alexandria, e carregou a vida toda o sobrenome grafado errado pelo consulado inglês no Egito

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 03h00

O que é uma pessoa e seu destino. O que são suas escolhas, os fatos da vida que a arrastam em movimentos de cabo de guerra para cá e para lá e mesmo a inércia de atitudes, esta sonsa impostura. No fim, todas deságuam no que será chamado de futuro. Eric John Ernest Hobsbawm nasceu em 1917, ano da Revolução Russa, em Alexandria, e carregou a vida toda o sobrenome grafado errado pelo consulado inglês no Egito; o correto seria Hobsbaum. Hoje seu nome é a marca do maior historiador conhecido.

A COLOSSAL ERAS 

O rapazote Eric já havia saído do Egito e aos 12 anos estava em apuros. Seu pai morrera repentinamente na porta de casa de um enfarte fulminante e dois anos depois seria sua mãe. Mandado para Berlim, foi morar com parentes e viu de perto a ascensão de Hitler. A vida, essa matreira. Menos Eric e já Hobsbawm, o jovem forma-se com louvor aos 22 anos no King’s College, de Londres, completa o mestrado três anos depois e depois vem o doutorado. Deixou sua marca na história com a colossal série Eras A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios, A Era dos Extremos, cobrindo o período de 1789 a 1991. Aqui seus livros estão na versão em áudio:

GARGALHADA COM HITCHENS 

Uma das melhores conversas de Hobsbawn que se pode encontrar na internet é com o jornalista inglês Christopher Hitchens (1949-2011), polemista de quatro costados. Não há imagens em vídeo, somente o áudio da conversa, que, animadíssima, durou uma hora. Hitchens é impagável e diversas vezes leva a plateia e o próprio Hobsbawn à gargalhada.  

BANDIDOS NO ALVO 

Uma das obras mais divertidas do historiador é Bandidos. Trata-se de uma reunião de histórias das vidas de bandidos sociais, alguns deles justiceiros, como Salvatore Giuliano, Lampião, Robin Hood, dentre outros. O livro teve uma primeira edição no Brasil, mas a melhor delas veio em 2015, depois que o autor reviu a obra em 1999 e a melhorou. Aqui um podcast sobre o assunto.

DE SHORTS EM PARATY 

Com todo esse cacife não é de se estranhar que, na visita a Paraty para a edição da Flip em 2003, Hobsbawm virou o popstar do evento. Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2, que vivia no encalço do historiador pelas ruas da cidade, notou o assédio caloroso dos fãs, que o chamavam simplesmente de “Hobs”.

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM,  EU VENDO LENÇOS’

Tudo o que sabemos sobre:
História

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.