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Caverna.Club: Gigantes de mármore em ação

É fundamental buscar no túnel do tempo os gigantes que viveram em Pindorama para sabermos o que já fomos e, distraídos, não perdermos o caminho

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2020 | 03h00

A mentira, essa anã do mundo de sempre, cai por terra quando registros tecnológicos eternizam as bobagens ditas ou feitas, seja por amantes inconsequentes, seja por inescrupulosos políticos em um país de nanofiguras. E o seu inverso também é verdadeiro. É fundamental buscar no túnel do tempo os gigantes que viveram em Pindorama para sabermos o que já fomos e, distraídos, não perdermos o caminho. Também é uma forma de nos compensar da baixa oxigenação nos cérebros dos anões, hospedeiros de bobagens. A arte e a cultura estão aí para isso: relembrar, pensar, criar, reinventar. 

BAIANO DO MUNDO 

Dentre os gigantes de mármore um dos intelectuais brasileiros com maior projeção acadêmica no exterior é o baiano Milton Santos (1926-2001), nascido em Brotas de Macaúbas. Poucos atingiram o grau de influência que conseguiu ao longo de sua carreira. No seu caso, o mundo diz respeito à geografia humana e do espaço, fluxo dos movimentos de viventes pelo planeta. Há dois vídeos que podem trazer alegria de viver aos mortais. Um Roda Viva em que, além de jornalistas, há uma série de professores da academia.

E um documentário do cineasta Sílvio Tendler, O Mundo Global Visto do Lado de Cá. Trata a globalização sob a ótica de Milton Santos, um dos assuntos que mais ocuparam seu tempo nos últimos 20 anos de vida.

FREIRE NO ALVO 

Paulo Freire (1921-1997), um dos mais influentes pensadores da educação no País, quiçá do mundo, participa de uma abundância de vídeos na internet que, apesar de sua morte em 1997, sugerem permanência – esta certamente virá ano que vem, com as comemorações dos 100 anos de seu nascimento. Neste fala da experiência que moldou sua vida, inclusive sobre a fome.

Um curioso no Matéria Prima, antigo programa de Serginho Groisman.

SETE MINUTOS

Se o escritor e diplomata João Guimarães Rosa é, na sua imaginação, uma fotografia em preto e branco, não perca por esperar. Em uma rara e curtíssima entrevista concedida em Berlim para um canal de TV alemão, o autor de Grande Sertão: Veredas fala sobre sua obra em sete minutos de felicidade absoluta. Um contraponto em relação aos nanicos de beca, pois há quem passe toda a vida e nem juntando sete minutos consegue falar algo que preste.

*É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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