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Caverna.club: Como dançar miudinho no escuro

A dança como expressão do corpo e do espírito é recurso conhecido ao longo de milênios

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 03h00

A dança como expressão do corpo e do espírito é recurso conhecido ao longo de milênios. Nestes tempos de pandeca pademônia pode nos libertar da pressão invisível que oprime os nervos. Ganha-se o direito de extrapolar o banal, passaporte para o infinito, como audiência de peça clássica, assistida meigamente no sofá de casa. Ou, vá lá, você como protagonista, executando uma dança primitiva no melhor estilo ataque epilético, se descabelando diante da televisão.

CONCEDA-TE ESSA DANÇA

 

Há para todos os gostos da dança profissional ao ataque escalafobético diante da tevê. Tome-se o exemplo de Alvin Ailey (1931-1989), um dos gênios da dança no século 20. Coreógrafo, sua obra-prima atende pelo nome de Revelations e há 60 anos vem sendo recriada e reapresentada em vários palcos do mundo. Não é à toa que, esta semana, o Lincoln Center decidiu colocar no ar uma montagem de 2015, histórica por conta do sucesso que teve ao longo de sua carreira com a Alvin Ailey American Dance Theater (alvinailey.org). De quebra, nessas quase duas horas de apresentação, o vivente leva ainda de brinde três outras apresentações, Chroma, Takademe e Grace. (bit.ly/37oHKuk

 

CHACOALHE O ESQUELETO 

O mesmo Lincoln Center lançou esta semana em sua plataforma digital uma nova peça, The Ritual, criada pelo coreógrafo e solista Gabe Stone Shayer, do American Ballet Theatre, que dança com sua companheira de palco, Cassandra Trenary. É parte de uma obra maior, criada pelo próprio Shayer, mas também fala por si. (bit.ly/3nq7YlD

 

DESCABELE-SE COM CONVICÇÃO

 

Mas se mesmo depois de tudo isso seu negócio for a dança solo, estrambótica e pandêmica, não se preocupe. A primeira meta é aperfeiçoar o ritmo em que seu esqueleto chacoalhará e como vai descabelar sua juba, se é que ainda tem uma depois de passar os últimos nove meses arrancando as madeixas. Calma, nada parecido com Kevin Kline em Será Que Ele É, péssima tradução para In&Out, de Frank Oz (youtu.be/yBPm2Xom_y4). Aproveite algumas aulas que o elenco do American Ballet Theatre tem dado em seu site (abt.org). Quem sabe nasça aí uma nova estrela da dança, ou melhor, estrela da dança mundial dentro de casa na frente da televisão. Aproveite que ninguém está vendo, perca as estribeiras e a dignidade. Sempre com convicção. 

 

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

 

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