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Caverna.Club: Béjart renasce em Lausanne

Vídeos da Béjart Ballet Lausanne estão disponíveis para fãs de dança

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

14 de maio de 2020 | 03h00

Maurice Béjart, o grande coreógrafo francês, cantou para subir em 2007, mas sua obra está aí, para dizer o mínimo. Então vamos falar sobre o máximo. Os quadris bamboleantes de seus bailarinos continuam a sacolejar em Lausanne, na Suíça, sede de sua companhia de dança, a Béjart Ballet Lausanne. Viajam o mundo e mostram a arte de seu mestre. Parte do trabalho será aberta de hoje a domingo, 17, com a peça Kyôdaï, coreografia de Gil Roman. Semana que vem tem a turnê pela China, de 21 a 24/5, e de 28 a 31/5, a peça Ku. A vivacidade e ousadia de Béjart ainda estão no DNA. www.bejart.ch/

BORGES NIPÔNICO

Um conto do argentino Jorge Luis Borges foi o ponto de partida de Kyôdaï, quando começou a ser ensaiada, mas acabou se transformando em uma peça de inspiração japonesa, inclusive no gestual e no figurino de linhas retas e limpas. Até o coreógrafo Gil Roman confessa não saber como ocorreu a transmutação cósmico-literária, um assombro.

QUEEN + MOZART

O regozijo quase infinito pode estar a caminho. Peça emblemática da companhia, coreografada pelo próprio Béjart, Ballet for Life pode entrar em exibição nas próximas semanas, basta ficar de olho. Título banal diante do original francês, glorioso: Le Presbytère N'A Rien Perdu de Son Charme, Ni Le Jardin de Son Éclat, ou, em tradução livre, O Presbitério Não Perdeu Seu Charme, Nem o Jardim de Seu Esplendor. O melhor é a trilha, de matar, com o perdão da má palavra. Mistura Mozart e Queen em cenas eletrizantes.  

VIVA SÉRGIO SANT’ANNA

Um escritor como Sérgio Sant’Anna revelava-se no olhar fugidio, quase como uma criança pega de surpresa fazendo arte. Primus inter pares, era isso e bem mais. Um vídeo de três míseros minutos revela segredos de como escrevia. Não de onde tirava tanta criatividade para elaborar seus contos, mas, nesse ponto, era o como que importava. Sentado em uma cadeira de balanço, os pés apoiados em uma arca e o papel sobre um álbum. Precisava ser algo duro para dar suporte. Escrevia à mão. “A mão é um grande instrumento”, confessa. Melhor que isso é o CD editado pelo Instituto Moreira Salles há exatos 20 anos, que guarda uma preciosidade. Sant’Anna lê um de seus melhores contos, A Mulher Cobra. Nessa hora só os sebos salvam.

3 dicas de Luís Gustavo Petri, maestro

  • 1. MIS em Casa

Filmes, música e bate-papo. mis-sp.org.br

  • 2. Festival Varilux

Cinema francês para adultos e crianças. festivalvariluxemcasa.com.br

  • 3. Filarmônica de Berlim

Concertos gratuitos da orquestra. digitalconcerthall.com

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