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Palco, plateia e coxia
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Caverna.Club: Ao redor da rotunda criatura

O que Alfred Joseph Hitchcock fez na vida todos sabem, mas o que deixou de fazer levou para a tumba

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2021 | 03h00

Alfred Joseph Hitchcock não precisou de uma sexta-feira quando nasceu em um 13 de agosto. Não bastasse o 13 e o mês do cachorro louco o inglês debutou para o bailão da vida em um domingo de calmaria na Essex de 1899. O que fez na vida todos sabem, mas o que deixou de fazer levou para a tumba. Ou melhor, sonhos que viraram cinzas e por obra da família boiaram por um tempo nas águas do Pacífico, onde o bom e velho Hitch foi despachado de vez e talvez ainda hoje repouse.

QUEM AMA MALTRATA  

Hitchcock não era bolinho. Pior, era um filhinho da mamãe, inglesa surperprotetora. Conta ele que, chafurdado no colo dela aos seis meses de vida, foi a mãe quem abriu caminho para a carreira de aterrorizar audiências no cinema: deu-lhe um susto ao gritar um sonoro “boooo”. Em inglês, claro. Difícil acreditar, mas conveniente para explicar muita coisa. O fato não o impediu de ter sempre um olhar para as moças, as primeiras a serem aterrorizadas quando fazia um filme. Sua justificativa era a de que as teteias da época representavam 80% da audiência nos cinemas.

QUEM AMA MATA 

Se maltratava nas plateias, não deixava por menos nos sets. Que o diga a geração de loiras de Hitch, como Eva Marie Saint, Grace Kelly, Janet Leigh, Kim Novak e Tippi Hedren. Muitas arrastaram mágoas por anos. Acusavam o gorducho de maus-tratos e assédio capazes de incluí-lo no top five do #metoo. Tippi (Os Pássaros) sempre falou abertamente sobre os assédios sofridos.

Não à toa, Larry King, nos final dos anos 90, chegou a reunir algumas delas em seu programa. Parecia um ritual macabro de exumação de um corpo não presente, o de Hitchcock. Pena o vídeo não estar disponível.

QUEM AMA BEBE 

Assim como o número 13 foi um dia bom para nascer, o mesmo número seria marcado como a estreia de Hitchcock no cinema em 1922. O projeto do filme Number 13 naufragou por questões de grana, claro. Há mais de onde saiu isso. O site para fãs The Hitchcock Zone (the.hitchcock.zone) é um exemplo – deixe de lado o oficial, chato de dar dó (alfredhitchcock.com). Enquanto isso permita que a chef Nigella Lawson nos guie na produção do drink preferido de Hitchcock, White Lady. Se é que você me entende.

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DO INFANTIL ‘ZIIIM’ E DE ‘ENQUANTO ELES CHORAM, EU VENDO LENÇOS’

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