Caveiras, paquitas e Stravinski

Electric, o show de hoje à noite, em São Paulo, segue a mesma linha de sofisticação pseudo fashionista e, em diversos momentos, implora para não ser levado a sério

O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h08

Neil Tennant e Chris Lowe são estetas irremediáveis, e o visual aprimorado de suas produções é sinônimo do sucesso dos Pet Shop Boys desde os tempos mais libidinosos do duo, quando exaltavam corpos esculturais em videoclipes sensuais e homoeróticos como Domino Dancing e Being Boring (esse em glorioso preto e branco, com beldades femininas e masculinas ensaboadas em uma banheira). Carequinhas, aos cinquenta e poucos, os dois deixaram de lado a sexualidade e hoje concentram-se em figurinos diferenciados, como os cubos que vestiam na última turnê, Cubism. Electric, o show de hoje à noite, em São Paulo, segue a mesma linha de sofisticação pseudo fashionista e, em diversos momentos, implora para não ser levado a sério.

O show começa com o modelito ouriço, ou esponja de lava rápido, que Neil Tennant traja na foto ao lado. Por trás de uma cortina, surge a dupla de preto, ao som de Axis, do novo disco, vestindo um chapéu de cone, que lembra o gnomo viajante de Amelie Poulain, ou propriamente os Coneheads, do Saturday Night Live. Um casal de bailarinos, exímios coadjuvantes do show, surge em frente a um fundo de equações aritméticas, dançando Opportunities.

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Então, o improvável (ou esdrúxulo) acontece: o DJ toca o primeiro movimento da Sagração da Primavera, de Stravinski, e os dançarinos vestem máscaras de crânio de boi (uma com uma peruca que parece o Rod Stewart, outra o Ron Wood) e dançam saltitantes, como se fossem paquitas numa versão blasfema da já blasfema Sagração. A dupla ainda tem um solo, em traje pink, sobre o que parece ser uma trilha de programa de auditório. Musicalmente, Electric é um tanto preguiçoso. Chris Lowe poderia contratar uma banda para tocar, em vez de apenas apertar os botões para Neil cantar. Mesmo assim, a sequência final de hits, com West End Girls, compensa o valor da entrada com nostalgia etérea. / R.N.

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