Divulgação
Divulgação

Cavalo em cena causa polêmica em festival de teatro em São Paulo

'Eu Não Sou Bonita' traz animal ao palco para contar história de abuso sexual vivido por atriz

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2014 | 13h33

O uso de um cavalo vivo em cena do espetáculo Eu Não Sou Bonita, que é parte da programação da 1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo atraiu manifestantes ao Teatro Cacilda Becker, em São Paulo, em sua primeira apresentação esta semana.

Ativistas da causa dos direitos animais interromparam a performance de Angélica Liddell para protestar contra a presença do animal no palco e de sua exploração para fins artísticos. Segundo relatos de espectadores, a produção permitiu que os manifestantes pudessem se pronunciar sob dois minutos, o que ocorreu sob vaias da plateia. Em seguida, Liddell prosseguiu com o espetáculo.

A peça conta a história real da diretora e atriz, cujo nome real é Angélica González, e do abuso sexual que sofreu na infância. Na sinopse, a peça se afirma como "uma crítica à sociedade pratiarcal e aos papéis que ela impõe às mulheres desde o nascimento". O espetáculo propõe ainda um diálogo com a estética gótica, e é assim que justifica o uso do cavalo branco em cena. "A performer executa breves e itensos atos, através dos quais busca exorcizar a dor e elaborar de forma poética a violência social", diz o catálogo oficial da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo.

Angélica fundou em 1993 a companhia Atra Bilis, com a qual já montou mais de 20 espetáculos e vendeu o Premio Nacional de Literatura Dramática, em 2012, por La Casa de La Fuerza.

Dentro da programação do MIT-SP, Eu Não Sou Bonita terá sessões neste sábado, 15h, às 23h, e no domingo, 16h, às 20h. 

Na tarde de sábado, 15, Angélica participou de um workshop no Itaú Cultural, por volta das 16h30, e falou sobre o tema com Antonio Araújo, um dos curadores do MIT-SP: "não faço nada errado. O cavalo recebe os cuidados que uma criança receberia. Consulto as leis de cada país e tenho respaldo legal para fazer a montagem. Minha intenção não é machucá-lo, mas usar sua presença para comunicar. Raramente vejo esse tipo de reação negativa, de quem interpreta que ele está ali apenas por estar."

Atualizado às 18h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.