'Cavalo de Guerra', de Spielberg, chega aos cinemas

As batalhas são duras e os tiros vêm de todos os lados. O céu é sempre cinza pela fuligem das máquinas de artilharia, impossibilitando saber a posição do sol. Nas trincheiras, entre corpos de companheiros mortos, soldados sobrevivem sem saber se a luz do dia seguinte virá para eles. Um deles avista um animal desnorteado, completamente envolvido por arames farpados, tentando se levantar. Do outro lado, na trincheira oposta, outro soldado também vê o bicho. Rivais no campo de batalha, envolvidos à força em uma briga que nunca foi deles, os dois jovens salvam o cavalo coberto por lama e sangue.

AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2012 | 11h23

É apoteótico. A melhor representação da epopeia vivida pelo simpático e obstinado Joey, o cavalo que protagoniza o novo longa "Cavalo de Guerra", do três vezes ganhador do Oscar, duas vezes do Globo de Ouro e quatro do Emmy Steven Spielberg. A produção, que estreia hoje nos cinemas de todo o País, é a adaptação do romance infantil homônimo do inglês Michael Morpurgo, lançado em 1982.

A história é baseada na Primeira Grande Guerra, entre os anos 1914 e 1918, numa briga iniciada entre as alianças de França, Reino Unido e Rússia - e, em 1917, providencialmente ajudadas pelos Estados Unidos -, contra o Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano. Em quatro anos de batalhas pelo território europeu, 19 milhões de pessoas morreram. E 4 milhões de cavalos também.

Joey é a representação de uma juventude inteira desperdiçada pela disputa de poder. Garotos que se viram envolvidos num conflito de amplitude mundial, crianças crescidas e armadas, longe de casa, longe da família. O cavalo percorre a Europa, passa de mão em mão. É levado, pelos homens, para ver o ato mais cruel e perverso da humanidade: a guerra entre irmãos.

A ambientação é pesada e Spielberg, mestre em misturar o horror da guerra com toques sutis de humanidade - mesmo que de forma velada. É também a primeira vez que o diretor e produtor se aventurou pela Primeira Guerra Mundial. Os longas "A Lista de Schindler" (1993) e "O Resgate do Soldado Ryan" (1998), e as séries "Band of Brothers" (2001) e "The Pacific" (2010) são alguns exemplos de como ele já explorou - e bem - o segundo conflito mundial.

"Cavalo de Guerra" é um filme, acima de tudo, emocionante. E nos leva a trilhar duas aventuras: do cavalo Joey e de seu dono, o jovem Albert Narracott (o estreante Jeremy Irvine). O próprio primeiro encontro deles foi um acaso. O pai de Narracott, vivido por Peter Mullan, um beberrão, aparece na casinha da família com o cavalo, adquirido em um leilão, usando todo o dinheiro da família. O garoto, que nunca havia treinado um cavalo, precisa ensiná-lo a arar a terra. Quando a Inglaterra declara guerra, o cavalo é vendido para o Exército. Aí começa sua jornada.

Somos levados a acompanhar a trajetória do animal e das pessoas que estão à sua volta: um capitão inglês, um casal de irmãos alemães, avô e neta franceses, um cuidador de cavalos germânico. Todos personagens que sofrem na guerra - e a quem a lealdade do cavalo conquista aos poucos. Enquanto isso, o jovem Narracott completa a idade mínima para se alistar e parte para defender o seu país. Sem saber quais seriam os horrores que ele encontraria dali para frente. Um ótimo exemplar da capacidade dramática de Spielberg. As informações são do Jornal da Tarde.

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