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Cavalera abre SPFW e dá glamour de passarela às ruas

Depois de lançar coleções no Tietê e no Minhocão, Alberto Hiar, o Turco Loco, vai para a Galeria do Rock

Valéria França, de O Estado de S. Paulo,

15 de janeiro de 2010 | 19h33

Transformar a capital paulista em passarela da moda é uma das especialidades do empresário Alberto Hiar, de 46 anos, conhecido como Turco Loco. Em 2008, ele lançou a coleção de inverno de sua marca, a Cavalera, nas margens do Rio Tietê. O lixo e o mau cheiro das águas, e até mesmo a chuva que caiu naquele domingo, deixaram o desfile impactante. No ano passado, o local escolhido foi o Elevado Costa e Silva - o agressivo Minhocão, que liga as zonas leste e oeste da cidade, ganhou cadeiras de praia, carros tunados e sombrinhas coloridas para receber um batalhão de modelos. Neste domingo, será a vez da Galeria do Rock, na Avenida São João, no centro.

 

O evento que abre os desfiles da semana de moda mais importante do País, a São Paulo Fashion Week, é um dos poucos realizados fora do prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na zona sul. O tema: sexo, moda e rock. Além de desmistificar o glamour das passarelas, sempre que estes happenings acontecem, Hiar acaba chamando a atenção para pontos problemáticos da cidade. "O Tietê precisava, e precisa, de atenção", diz o empresário. "O centro de São Paulo é bárbaro, mas deveria abrir suas portas para receber

lojas de grifes, o que certamente ajudaria na sua recuperação."

 

Como político, Hiar não foi autor de projetos bombásticos, mas teve suas conquistas. Começou em 1995, eleito como o vereador mais jovem da Câmara, pelo PSDB, numa luta em favor da juventude oprimida e pelo esporte, em especial o skate, como um meio de reintegração social. "Muitas vezes parecia que eu estava falando sobre um mundo que os políticos nem imaginavam que existia.

 

Quando falei pela primeira vez sobre o rap da periferia houve quem nem soubesse o que era isso", conta. Mais tarde, como deputado estadual, Hiar conseguiu a aprovação do projeto de reservas de cotas raciais em universidades públicas. Em 2007, encerrou a trajetória política para se dedicar ao seu principal talento, o comércio.

 

Criação

 

Descendente de libaneses, Hiar começou a trabalhar aos 6 anos, vendendo sacos de farinha para a vizinhança. "Na minha casa, os meus filhos sempre trabalharam desde cedo", diz sua mãe, Jamile Hiar, de 82 anos, que enfrentou 16 gestações, das quais dez filhos nasceram vivos. Alberto Hiar é o penúltimo dos irmãos.

 

"Meu pai nunca deu moleza para os filhos. Só as mulheres foram um pouco poupadas", diz Hiar, que durante anos trabalhou com o pai na feira, vendendo roupas. "Na feira você aprende a vender vermelho para luto." Hiar cresceu vendo uma mãe batalhadora, analfabeta, que veio de um pequeno vilarejo libanês com quatro filhos encontrar o marido, que se estabeleceu na zona sul da cidade.

 

Os negócios da família começaram com a venda de meias, nos fundos

do Ipiranga, já nas vizinhanças de Heliópolis. Além de cuidar dos filhos e da casa, Jamile fazia as próprias roupas. Tudo sem falar uma palavra em português, coisa que ainda não faz muito bem.

 

Aos 19 anos, pouco depois de concluir o segundo grau, Hiar resolveu abrir uma estamparia e, na sequência, duas marcas de roupa, a Surf Combat e a Vision, de street wear. Esta conquistou a cena alternativa, principalmente quando músicos como Chico Science começaram a usá-la.

 

"Conheci o Turco por causa do Sepultura", conta o músico João Gordo. "Na contracapa do terceiro disco, o Max (Cavalera, ex-guitarrista da banda) apareceu com uma calça pintada à mão, da Vision. Então, fui lá pedir roupa para mim." Hiar disse que não queria atendê-lo, mas o músico ficou de prontidão até ser recebido. "Saí com várias roupas. E essa foi só a primeira vez em que o Turco me ajudou", conta o roqueiro. "Fui internado na UTI do Sírio Libanês há alguns anos e ele pagou a conta", lembra.

 

Pai amável, marido dedicado, mas chefe difícil, segundo a mulher, Valéria, com quem teve três filhos, Alberto, de 23 anos, Hanna, de 22, e Maria Luíza, de 8. "Ele é muito exigente", diz Valéria. "Sou duro quando as pessoas não fazem o que eu quero, até mesmo com minha mulher, que é gerente de produto da Cavalera", diz. "Mas em casa, depois ela me castiga", brinca. "Também não deixo que desperdicem meu dinheiro à toa. Sou do tipo que sai apagando luz."

 

Desde que voltou a se dedicar só aos negócios, até a casa noturna que toca em parceria com André Hidalgo, o Glória, começou a dar dinheiro. O que ele fez? "Ah foi fácil! Cortei a maior parte da lista VIP."

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