Cavaleiro negro do Rock, Reed lança livro

Rock star vem ao Brasil para autografar Atravessar o Fogo

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

Eu podia ter sido alguém, diz o personagem de Marlon Brando em Sindicato de Ladrões. Essa citação está na abertura de Atravessar o Fogo (Companhia das Letras, 794 páginas, R$ 51,50), o livro que compila as 310 letras do cantor, poeta e compositor nova-iorquino Lou Reed, e lhes dá uma tradução para o português.

O volume será lançado na Festa Literária de Paraty, no dia 7, sábado, às 19h30, com a presença de Lou Reed e suas roupas pretas, o mito do rock"n"roll em carne & osso, integrante do grupo Velvet Underground no final dos anos 1960, e com mais de 40 anos de integridade artística. É fácil de entender o que Lou Reed, hoje com 68 anos, pretende com a epígrafe em que cita Marlon Brando: seu ofício no rock nunca foi o de erigir uma obra, mas o de bater-se com as armas de que dispunha contra males que o afligiam: a hipocrisia social, os modelos comportamentais, a opressão filosófica. Aconteceu que ele virou, a contragosto, referência (um "alguém", mas nunca um poeta oficial)

Traduzir letras de música é sempre uma tarefa ingrata: sem o suporte musical, para que servem? Se são poesia cantada, podem prescindir da parte musical? Some-se a isso o fato de serem recriadas da língua original, não acabam se tornando uma outra coisa? "Aqui, o que o leitor encontrará são versões que pretendem transmitir a compreensão das letras de Lou Reed, consideradas como textos artísticos em verso branco e livre", dizem os tradutores, Christian Schwartz e Caetano W. Galindo.

É preciso dizer que foi um trabalho hercúleo (Lou Reed tem um songbook enorme, quase se equipara a Roberto Carlos). O ritmo de tradução é livre: "Cara, graças a Deus fico bem como se estivesse morto/E agradeço ao teu Deus por não ter consciência", diz a letra de Heroína.

Lewis Allen Reed é do Brooklyn. Formou-se em literatura na Universidade de Syracuse, onde conheceu o poeta Delmore Schwartz, que se tornaria seu mentor. Em 1965, criou com o músico John Cale um grupo de importância fundamental, o Velvet Underground, que foi "adotado" pelo artista pop Andy Warhol em sua fase mais ebulitiva. Atualmente, Reed está casado com a artista multimídia Laurie Anderson, a quem dedica o livro.

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