Via Funchal/Divulgação
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Caubói do som

Kenny Rogers já prepara sua biografia e revê carreira consistente

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

Kenny Rogers está com 73 anos. Willie Nelson está com 78 anos. Eles formaram, com Johnny Cash, a santíssima trindade da country music. Cash morreu, e ambos continuam firmes por aí como símbolos vívidos do espírito da country music americana - homens que vivem uma independência dura, de ideais férreos, notoriamente solitários e de vida errática.

Kenny Rogers acaba de celebrar seus primeiros 50 anos de carreira, com um especial intitulado Kenny Rogers: The 1st 50 Years, que recentemente foi realizado no GAC, com performances de seus grandes amigos, como Lionel Richie, Dolly Parton, Alison Krauss, Tim McGraw, Chris Isaak, Smokey Robinson, Billy Currington, Darius Rucker, Wynonna e muitos outros.

É essa instituição que está desembarcando no Brasil esta semana. Toca nesta quarta no Via Funchal, em São Paulo. Lionel Richie, ex-líder dos Commodores e expoente da black music americana, compôs especialmente para Rogers a balada Lady, sucesso universal desde os anos 1980. Barry Gibb, dos Bee Gees, produziu um dos álbuns mais bem-sucedidos da carreira de Kenny, Eyes That Seen In The Dark (1983), que inclui o mega-hit Islands In The Stream. Em 1985, Kenny participou com destaque do célebre single beneficente We Are The World ao lado de Michael Jackson, Bruce Springsteen, Tina Turner, Lionel Richie e Bob Dylan, entre outros.

Ouvi dizer que o sr. pretende escrever sua autobiografia. Vai escrever o sr. mesmo ou vai contratar um escritor?

Convidei uma escritora. Se eu vou contar tudo? Não sei o que é tudo, mas creio que essa é uma grande oportunidade para dar a minha versão das coisas. Estou escrevendo esse livro por dois motivos. O primeiro é que tive muitas experiências com gente importante na música. Fui grande amigo de Michael Jackson, de Elvis Presley. O segundo motivo é que quero examinar meu próprio legado musical. Eu era muito jovem quando comecei, e, no início da carreira, a gente vive em alta rotação, não tem condições de saber, de ter consciência do que nos acontece. Já tenho pensado em fazer isso nos últimos 20 anos, mas não me achava ainda pronto.

O sr. pretende dizer quais foram suas maiores influências? Quem eram seus ídolos? Hank Williams?

Curiosamente, meu maior ídolo não foi um cantor da country music, mas um cantor polivalente, que podia cantar tudo: soul, funk, country, rock, pop, baladas. Meu ídolo era Ray Charles, e o que eu tentei aprender dele foi cantar canções que contem grandes histórias, não importa o gênero, e cantá-las com paixão. Poucos cantaram com tanta paixão quanto Ray Charles.

O sr. gravou um disco de música gospel, é seu álbum mais recente, The Love Of God. O que o levou a gravar algo assim? Está se sentindo mais espiritualizado atualmente?

Eu tenho uma relação particular, pessoal, com cada uma das 12 canções desse disco. Por exemplo: In The Sweet By And By era a música favorita da minha mãe. Quando eu era moleque, lembro de quando saía para a escola, e a escutava cantando junto com a música no rádio. A memória disso ainda é fresca para mim, e especial. The Love Of God é a realização de uma ideia que eu cortejei durante anos, mas nunca tive a oportunidade de torná-la real. É claro que é também um despertar espiritual para mim, mas principalmente uma celebração de todos aqueles maravilhosos músicos, vocalistas, compositores que fizeram essa música que conectava as pessoas com a eternidade. Sou grato por ter tido a chance de realizar isso agora.

O sr. mantém um hospital para crianças, o Kenny Roger"s Children Center. O que o levou a montar algo assim?

Bom, em 1987, eu criava cavalos árabes em uma fazenda no Missouri. Acontece que os criadores tinham o hábito de contribuir com uma parte da renda dos leilões dos seus animais para ações de melhoria de estábulos, essas coisas. Eu fui procurado para fazer uma doação e abri o bolso. Aí alguém me disse: "Cara, isso dá para construir um hospital!". Eu ouvi aquilo e me dei conta de que era mesmo uma ideia perfeita. E abri um hospital.

Quando o presidente americano anunciou a morte de Osama Bin Laden as pessoas nos Estados Unidos foram às ruas para comemorar. Como o sr. viu esse anúncio da Casa Branca?

Osama Bin Laden teve o que mereceu. Mas não acho legal as pessoas saírem as ruas para comemorar, deixarem seus lares para festejar isso. Ninguém deve ficar excitado com a morte de uma pessoa.

Será a primeira vez no Brasil?

Não, já estive em São Paulo há 15 anos. Estava em férias com minha mulher. Acho que, daquela vez, só cantei em Punta del Este. Recebo muitas manifestações de São Paulo, vai ser um prazer cantar para meus fãs da cidade. Não decidi ainda o que vou cantar, as canções que escolherei, mas haverá músicas de Love of God e de toda a minha carreira.

E os filmes? O sr. sempre teve uma relação muito próxima com o cinema.

É verdade. Há muitos atores de hoje em dia que admiro, como Matt Damon, George Clooney, Will Ferrell. Eu sou um ator, tenho essa consciência de que estou sempre criando personagens, como fiz em The Gamblers. Há produtores querendo minha participação em alguns filmes, mas tenho sido reticente, toma muito tempo.

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