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‘Catfish’ faz operação cupido às avessas

Apresentador Nev Schulman apresenta casais que se relacionam só pela internet

João Fernando, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2013 | 19h24

Numa época em que as cantadas sussurradas ao pé do ouvido perdem terreno para mensagens em aplicativos de paquera, tem gente que prefere manter o relacionamento na esfera virtual. Entretanto, a pessoa do lado de lá da tela do celular ou do computador pode não ser o que parece, como mostra Catfish, reality da MTV exibido todas as quartas, às 22h30, que acaba de chegar à segunda temporada.

“O objetivo do programa é ajudar a ter respostas, encontrar a verdade e fazer as pessoas se conhecerem melhor. Acho que um dos motivos que leva alguém a entrar nesse tipos de relacionamento é o fato de ter problemas ou sentimentos com os quais não sabem lidar. O que fazemos é ajuda-los a se entender”, explica Nev Schulman, apresentador e criador do programa.

O norte-americano de 29 anos entrou em uma furada ao manter um namoro on-line que deu origem a um documentário homônimo. No longa codirigido por seu irmão, Ariel, Nev vai ao encontro de uma jovem que conheceu pelo Facebook. Ao viajar para conhecê-la descobre que o perfil era, na verdade, mantido pela mãe de sua suposta namorada com fotos falsas, copiadas da página de amigas dela. Para evitar que outros também acabem enganados, ele e seu amigo Max Joseph, que também atua como cinegrafista em Catfish, percorrem os EUA procurando histórias parecidas e promovem o encontro dos amantes virtuais para mostrar a realidade.

Para Nev, parte das pessoas mostradas no programa não faz questão de investigar o parceiro para saber se ele está mentindo ou não. “Para eles não é só um episódio de um programa de TV como vemos, é um relacionamento longo. Eles não querem machucar ninguém nem se machucar. Acho que eles nem querem saber a verdade porque vão ter de aceitar algo que não foi o que pensaram. Investiram muita energia e tempo na outra pessoa”, disse por telefone ao Estado.

Um dos casos que mais impressionaram Nev Schulman foi o de uma jovem chamada Kya. “Ela se relacionava com um menino que ela pensava se chamar Alex. Mas ela descobriu que era uma menina. Danny é transgênero e se identificava como um homem. A conexão entre elas era tão forte que, mesmo assim, continuaram se amando e saíram algumas vezes depois do programa.” Por tratar de relacionamentos on-line, Nev recebe cantadas pela internet. “Acho que recebo pelo menos dois pedidos de casamento por dia. É engraçado. Escuto de muitas pessoas que querem se casar comigo e ter filhos meus. As pessoas se sentem muito à vontade de fazer isso na internet, pois jamais fariam isso na vida real. Eu nunca sei o que dizer, por isso não digo nada”, confessa.

Traumatizado pela experiência retratada no documentário, Nev garante que nunca mais tentou se relacionar com uma mulher pela rede. “Já conheci gente pela internet, mas há muito tempo, por causa das redes sociais em que falavam comigo, e quis conhecê-las. Ainda acho a internet uma ferramenta incrível para falar com as pessoas e fazer amigos. Porém, é importante, se tiver a chance, sair do relacionamento virtual.”

A MTV Brasil está avaliando se fará uma versão nacional de Catfish. Sem ter sido consultado ainda sobre o possível programa brasileiro, Nev já sabe quem indicar para assumir sua função. “Acho que a melhor pessoa para isso seria o Max. Não sei se você sabe, mas ele fala português. A namorada dele é brasileira e ele vai ao País com frequência. Deveria haver uma votação pela internet para que o escolhessem”, palpita. asgdsdhfg

 

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