Catalães alimentam polêmica em Feira do Livro de Frankfurt

Alguns autores não compareceram à feira por temer que possam ser usados como joguetes em discussão

Sylvia Westall, da Reuters,

10 de outubro de 2007 | 17h06

Os escritores catalães, convidados dehonra da Feira do Livro de Frankfurt este ano, dizem que apolêmica em torno da língua em que escrevem é algo queacompanha sua condição de catalães, mas que não deve desviar aatenção das pessoas da literatura que fazem. Alguns autores que escrevem em espanhol se negaram acomparecer à feira do livro por temer que possam ser usadoscomo joguetes numa discussão política sobre o idioma catalão. Mas os autores catalães presentes à feira, que dura cincodias, dizem que estão dispostos a enfrentar um debate sobre astensões políticas constantes de uma língua que foi proibidadurante a ditadura do general Francisco Franco, entre 1939 e1975. "O escritor sente que não deve um pedido de desculpas aninguém pelo fato de integrar uma cultura", disse o escritorcatalão Quim Monzo, que fez um discurso sobre a literaturacatalã, sob a forma de um conto humorístico. A feira de Frankfurt, que recebe cerca de 300 milvisitantes por ano, geralmente escolhe a literatura de um paísespecífico como seu tema anual central, mas este ano optou porfocar a região da Catalunha, no nordeste da Espanha. "É possível que, na Espanha, a discussão tenha desviado aatenção (da literatura)", comentou o poeta Pere Gimferrer. "Mas esse é sem dúvida um problema espanhol. É algo quesempre provoca discussão. Esse problema é político, histórico esocial e pertence à Espanha e a seu espírito político." A indústria de livros da Catalunha representa quase 55% dosetor editorial da Espanha, segundo os organizadores da feira,mas a literatura catalã ainda é relativamente desconhecida forado mundo de idioma espanhol e catalão. "A feira vai possibilitar à língua catalã uma plataforma delançamento para tornar-se uma língua européia reconhecida",disse o presidente da Catalunha, José Montilla, em seu discursoinaugural, criticando "as pessoas que criam disputasartificiais" com a língua espanhola. "Nossa participação em Frankfurt não é um imperativo de umgoverno, mas de um país", disse ele.

Tudo o que sabemos sobre:
livrosfeiracatalão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.