Catadora acha documentos de Pagu no lixo

A catadora de papel Selma Morgana Sarti encontrou no lixo, no bairro do Butantã, em São Paulo, documentos originais e fotos da escritora, jornalista e agitadora cultural Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), musa do modernismo brasileiro e que foi companheira de Oswald de Andrade. São, em sua maioria, documentos pessoais da escritora, como uma carteira de trabalho original, duas fotos e dois retratos, além de documentos e fotos de seu último marido, o jornalista e crítico Geraldo Ferraz.O material foi doado pela catadora de papel para o Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp. Segundo o Jornal da Unicamp, Selma (apesar de só ter cursado até o 4.º ano primário) reconheceu a importância do material e procurou uma amiga, aluna do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, para saber o que fazer com os documentos. Ela considerou o achado "emocionante" e declarou: "A ignorância deixa a gente passar um monte de coisas importantes. Você já imaginou quantos catadores existem e quantas coisas foram destruídas?". O material, que é considerado "importante e complementar" por especialistas da universidade, vai ajudar a instituição a criar a Coleção Patrícia Galvão.O acervo pertenceu ao filho de Pagu, Geraldo Galvão Ferraz, que vive atualmente nos Estados Unidos. Em litígio com a ex-mulher, ele viu coisas pessoais e valiosas serem atiradas no lixo. Por e-mail, Ferraz falou à reportagem do Estado. "O material era meu, sim. Fiquei muito triste ao saber que foi achado no lixo; primeiro pelo lado sentimental, já que se trata de recordações dos meus pais. Além disso, tenho alguns projetos de livros, inclusive em andamento, sobre eles. Infelizmente, no caso, estou em Nova York e dispuseram dessas coisas à minha revelia. Felizmente esses itens foram achados por alguém que, de forma elogiável conduziu-os até a Unicamp, para que a tão maltratada memória nacional não os perdesse", afirmou.

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