Cássio Vasconcelos fragmenta paisagem no Arte/Cidade

Nesta edição do Artecidadezonaleste que começa nesta quinta-feira para convidados e sábadopara o público, o fotógrafo Cássio Vasconcellos brinca demágico. Ele mexe com o imaginário do visitante usando a maispura ilusão de ótica. À primeira vista, o projeto parece simples mas requer uma série de cálculos matemáticos. A partir de umaúnica cena da Estação Brás, fragmentada em vários pedaços,Vasconcellos almeja reconstruir o todo. Num dos andares da torre leste do Sesc Belenzinho, ofotógrafo instalou uma grande imagem fotográfica da estação, comárea de projeção final de 2,70 metros por 8 metros. No entanto,essa mesma imagem está segmentada em 67 partes que, vistasisoladamente, parecem registros desconexos, sem ligação uma coma outra. No entanto, quando o observador posiciona-se numdeterminado ponto da sala, testemunha todos os fragmentos sereunindo diante de seus olhos e constituindo uma única cena.Uma área do metrô avançando na direção das lentes deCássio Vasconcellos, com um mar de prédios ao redor e a regiãocentral logo ao fundo. São 67 fotos, suspensas por fios quase imperceptíveis edistribuídas em cinco planos. A cada plano, as fotos têm suasdimensões ampliadas, proporcionais à visão monocular. O primeiroplano estará a 2,80 metros do observador; o segundo, a 4 metros;o terceiro, a 5,60 metros; o quarto, a 8 metros e, finalmente, oquinto, a 11 metros. "Não é uma matemática simples, que estásob a responsabilidade de Renato Cury", comenta Vasconcellos."Perde-se a noção do tridimensional e as imagens passam a sejuntar." Esse tal ponto de fusão, o próprio visitante terá dedescobrir. Não haverá demarcações ou dicas. O fotógrafo faz umaanalogia entre sua intervenção, São Paulo e a zona leste. "Édifícil ver a região leste como um todo", diz. "Muita gentenão tem idéia do que ela seja; muitas vezes, se comporta como umlocal de passagem para quem não mora nela. Trata-se da regiãomais atípica da cidade." Até eleger a Estação Brás como base para seu trabalho noprojeto Arte/Cidade, o fotógrafo perambulou muito. "Escolhi oBrás por várias razões, entre elas, por reunir dois elementosimportantes para a região: o metrô e o Brás." Com uma câmera panorâmica em punho, ele disparou umaseqüência de cliques até registrar a cena que poderá ser vistano evento - desde que o visitante tenha paciência e curiosidade,é claro. "Quando as pessoas passarem por entre as fotos, outrasvão vê-las fragmentadas também", completa Cássio Vasconcellos,que participa pela segunda vez do projeto.

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