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Cassetas voltam ao ataque

Cláudio Manuel fala da segunda temporada do 'Casseta Vai Fundo', que começa nesta sexta-feira, 02, e de seus outros trabalhos

CRISTINA PADIGLIONE - O Estado de S.Paulo,

01 de novembro de 2012 | 02h11

Fazer programa de humor dividido em temporadas tem lá o seu ônus - como o risco de não estar no ar enquanto mensalão, Carminha e Tufão pautam os assuntos do dia a dia. Para os cassetas, que voltam à tela amanhã, na segunda temporada desde que o programa se despediu do formato semanal contínuo, a alta exposição desses temas, num período em que o programa esteve recluso, deu comichão. "Mas é uma escolha", conforma-se Cláudio Manoel, porta-voz do grupo.

Ao abrir mão da atualidade permanente e aderir a edições temáticas, Cláudio espera ganhar no acabamento. Enquanto o Casseta Vai Fundo se recolheu para ensaiar a temporada que estreia amanhã, ele aproveitou para gravar um pacote de entrevistas para o quadro O Que Vi da Vida, criação sua que causou furor no Fantástico com o depoimento de Xuxa. Também emprestou seus créditos à consultoria e criação do programa que levou Fátima Bernardes a trocar a noite pelo dia.

 

Em entrevista ao Estado, ele falou sobre a volta do grupo às noites de sexta-feira.

Agora que vocês já experimentaram o formato de temporadas, o que há de bom nesta troca?

A oportunidade de trabalhar em outro ritmo de desenvolvimento. A ideia de fazer um programa temático nos obriga a ser mais autores e assumir a direção-geral nos obriga a ser mais produtores. Para a gente, é um projeto mais ambicioso. A questão de ter o produto todo, de A a Z, nos coloca mais dentro do ambiente corporativo. A televisão mudou muito, são novas encrencas, os desafios são motivadores. A gente foi procurar outros tipos de parceria, outras linguagens, como humor gráfico, que a gente não estava trabalhando tanto, e voltamos a trabalhar com a coisa musical.

Mas o horário atual (após as 23 horas) é mais ingrato, não?

Faz parte do jogo. Tirando línguas maldosas, os números estão lá, de terça ou de sexta, a gente tá ganhando. Pra parar, puxar o freio e dizer "a gente quer arrumar a casa", tinha de ser outro horário. O formato da temporada nos possibilita exatamente fazer com mais vagar, mais olhar, com mais tempo, aprimorar, fazer pós-produção.

Foi difícil ficar fora da eleição?

Olha, sinceramente, a eleição municipal não é esse borogodó todo. Porque é difícil que os personagens sejam nacionais. O mensalão dá mais recalque. Tem umas bolas que sobem que dão vontade de "raquetear" na cara, mas é bom ter um treinamento e pensar que o torneio será só em novembro. A gente tem programa temático, mas tem as janelas de atualidade. Mais do que o humor político, a gente ficou sem fazer Avenida Brasil, que, para paródia, é sensacional: todo mundo fez.

O que tem chamado a sua atenção em humor na TV?

O que me chamou atenção em termos nacionais foi a galera da Porta dos Fundos, com uma qualidade muito legal de esquetes, elenco bom, muito apropriado para o veículo: é linguagem e pegada que a internet permite e usa bem. De galera brasuca, gostei também muito desse seriado da HBO, FDP. É tudo muito bom: imagem de futebol é boa, texto é bom, elenco é bom. Fora os que estão aí mesmo, como (a série) Big Bang Theory, que eu acho é o melhor. Acredito que há um caminho que parece ser sólido, que é o dos seriados. Tapas & Beijos, que entrou no nosso antigo horário, tem ótima performance.

Vocês não têm vontade de desenvolver algo para a web?

Não temos como fazer algo complementar agora e eu ainda gosto do "muita gente". A TV aberta tem muito mais gente. Gosto de show biz, gosto de comunicação de massa, de mobilizar gente pra caramba a partir de uma ideia que você vê nascer e de que participou. Nada contra fazer sucesso na mesa de bar, mas gosto mesmo é da galera. Essa história de ditadura do ibope é o nome de "povo brasileiro", "plateia". Mas também acho bacana ter galera que está na internet, na TV paga, em blog literário.

Você assina também o quadro O Que Vi da Vida, para o Fantástico, que causou enorme repercussão com a revelação da Xuxa sobre abuso na infância.

O fato de ser ou não fã da Xuxa não deveria afetar o conteúdo do que ela disse, que é um alerta, uma denúncia. Ficaria totalmente incoerente, para ela, estar à frente de uma campanha contra a violência infantil e não falar nada sobre isso, tendo sofrido isso, quando o principal da campanha é quebrar o silêncio. As pessoas acusaram Xuxa de várias incoerências ao longo da vida e ela estava ali tentando ser coerente. Não deve ser fácil pra ninguém vir a público e falar o que aconteceu. Houve muitas piadinhas, até minimizando a questão da pedofilia. O quadro chama as pessoas para refletirem sobre fases da vida. Aí falam: "Ah, ele não falou de fulano". Não é feito pra preencher lacunas, não é um depoimento ao Museu da Imagem e do Som, não é biografia definitiva, é um quadro de um programa de variedades em que se tenta ter uma relação intimista com alguém muito conhecido. Por isso, não tem o entrevistador, não tem a pergunta: pra ficar uma relação direta do camarada com quem está em casa.

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