Casas casadas vão abrigar secretaria e centro cultural

O destino das Casas Casadas de Laranjeiras, primeiro conjunto arquitetônico do século XIX comapartamentos do Rio, foi finalmente selado: a construção vai abrigar, ao mesmo tempo, a Secretaria Municipal de Cultura do Rio e espaços destinados ao entreterimento, que serão utilizadospela iniciativa privada. Com isso, a Prefeitura do Rio está implantando uma experiência inédita, de uso misto para um prédio que faz parte do patrimônio da cidade. A previsão para o inícioda obra é janeiro de 2002 e o lugar deverá ser ocupado a partir de junho.A proposta de transformar as Casas Casadas em sede da Secretaria surgiu em uma reunião, realizada na semana passada, do recém-empossado Secretário das Culturas, Ricardo Macieira, com o grupo de trabalho que estudava a destinação que seria dada à edificação. No início do ano, um projeto para transferir parte do acervo do Museu da Cidade para as Casas Casadas chegou a sercogitado. "A questão do museu é outra. Seria transferir o problema de um lugar para outro", pensa o secretário.Segundo Macieira, dos três mil metros quadrados daconstrução a Secretaria vai precisar de cerca de 1.200 metros quadrados para se instalar. Além de sua parte administrativa, a instituição municipal terá ainda um auditório, onde serão realizados seminários e workshops, duas galerias de arte eoficinas de arte. O projeto prevê ainda a construção de duas salas de cinema, um restaurante, uma livraria e uma cafeteria."Esse mix de público e privado vai permitir a geração de atividades que serão geradoras de receita que, por sua vez, será reinvestida no imóvel. Assim, o prédio passará ser auto-sustentável", observa Macieira.Para o secretário, que é arquiteto e tem mestrado em Planejamento Urbano e Regional e pós-graduação em administração pública, alocar uma secretaria em um prédio de valor histórico e artístico tem um significado importante. "Precisamos ter umacidade costurada, interativa e que valorize o seu patrimônio histórico. E, às vezes, as pessoas ficam distantes deste processo. Cabe ao poder público dar o exemplo, indicar e sinalizar", pensa.As Casas Casadas foram construídas pelo comerciante Antônio Leite Leal, que dá nome à rua onde a construção foi erguida. Na sua inauguração, os seis prédios de três andares eram considerados luxuosos. Com o passar dos anos, o conjunto virou um cortiço e depois foi abandonado por causa da sua falta de conservação. No ano passado, a Prefeitura gastou R$ 900 mil pararestaurar a fachada e recuperar o telhado das Casas. Diante do estado de deterioração, o interior da edificação não foi conservado. O espaço interno será, então, reconstruído e reordenado. De acordo com o secretário das Culturas, estruturas leves e metálicas serão utilizadas na reconstrução da área interna.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2001 | 19h16

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