Casarão é palco de peça inspirada em Guimarães Rosa

Um casarão na Bela Vista, construído em 1912, será palco da viagem pelas lembranças de um homem. Histórias de raiva, amor, tristeza e truculência serão contadas - e encenadas - à medida que se entra na casa. E todo esse universo que passaremos a conhecer terá um "cheiro de Guimarães Rosa". Estréia hoje o espetáculo A Casa, escrito e dirigido por Rudifran Pompeu, que está à frente do Grupo Redimunho. No imóvel, que abrirá as portas para a apresentação da peça até 31 de agosto, funciona desde novembro a Escola Paulista de Restauro, que vem contribuir para a preservação de patrimônios históricos, arquitetônicos, urbanos e ambientais. "O uso da casa para apresentar uma peça vem ao encontro de nossa proposta de ocupação. Isso também é preservar", diz o restaurador da casa e diretor da Cia. de Restauro, Francisco Zorzete.O projeto tomou essa forma recentemente. No início do ano passado, Rudrifran e o grupo queriam aprofundar seus estudos nas obras e vida de Guimarães Rosa. Com muita luta e pouco dinheiro, conseguiram ir até Cordisburgo, sertão de Minas Gerais, cidade natal do escritor cuja obra Grande Sertão: Veredas completa 50 anos em 2006. "Lá conversamos com diversas pessoas. Trouxemos um punhado de terra, além de vários objetos", conta Pompeu. Tudo o que conseguiram está exposto na sala onde se espera o início do espetáculo. Fotos de Cordisburgo também estão nas paredes. "Tiramos mais de 300, mas ali só coube meia dúzia."No meio disso tudo estão objetos pessoais das famílias que moraram na casa, hoje tombada, no coração do Bexiga. Há pilhas de livros; um diploma de direito da USP reconhecido e assinado por Francisco Morato; um diário todo florido; cartas de suspensão de colégio e outras tantas com mensagens pessoais. "O último herdeiro concedeu, por dez anos, a casa à Oscip (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), que trabalha em conjunto com a Cia. de Restauro", conta Zorzete. Durante esse tempo, eles pretendem obter patrocínio para a restauração do imóvel e de outros patrimônios da região. "Queremos também formar, educar e conscientizar interessados na arte do restauro, oferecendo cursos para pintores, carpinteiros, eletricistas, arquitetos e engenheiros." Os interessados podem entrar em contato pelo tel. 3326-2700, ramal 102.MágicasO espetáculo inclui números de mágicas dignas de grandes produções. Sob a influência do autor e diretor Rudifran Pompeu, que trabalha profissionalmente com o universo ilusório há pelo menos dez anos, o grupo Redimunho apresentará o número A Bengala Voadora e, assim que conseguirem recursos com a venda de ingressos, será incluído um número no qual um personagem desaparece a apenas dois metros de distância da platéia. "Precisamos arrecadar R$ 2 mil para poder mostrar esse número até o fim da nossa temporada", diz Pompeu.A idéia de inserir mágicas na peça é justamente para apresentar o universo também um pouco fantástico "dos causos" sertanejos, além de frisar a péssima condição em que se encontram os artistas brasileiros. Para quem já conhece parte das obras rosianas vai ser fácil identificar alguns detalhes que foram pinçados de contos como O Palhaço do Nariz Verde ou outros do Sagarana.Quem ficou curioso para ver (e conhecer) A Casa é melhor já garantir o seu ingresso. Apenas 20 lugares por apresentação estão disponíveis para a viagem pelo sertão mineiro.

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