Acervo Pessoal
Acervo Pessoal

Casamentos são adiados por conta da pandemia do coronavírus

Com o isolamento social, eventos são cancelados e o setor deverá ser um dos mais afetados pela crise

Renata Cafardo, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2020 | 12h51

Save de new date. Assim os noivos Marina e José Carlos comunicaram seus cerca de 400 convidados que o casamento, marcado para o dia 25 de abril, seria agora quase um ano depois, por causa da pandemia de coronavírus. “Nessa hora de grande frustração, tínhamos duas opções: sentar e chorar ou acumular energias para mais um ano”, continua a mensagem diagramada como um convite e enviada pelo Whatsapp.

“A animação será muito maior e sem receio de beijos e abraços.”

Apesar da mensagem singela, a noiva Marina Sampaio Santos, arquiteta, de 32 anos, caiu em prantos quando percebeu que teria de esperar mais ainda pelo dia que já havia esperado tanto. Ele conta que foi pedida em casamento no fim de 2018. “Eu não parava de xingar e chorar, disse que não ia remarcar nada com nenhum fornecedor, não tinha forças.”

O futuro marido, o publicitário José Carlos Ferreira Alves Junior, de 40 anos, ficou responsável por conseguir uma nova data – distante – mas com tudo o que ela já tinha escolhido para o casamento. A mesma Igreja São José, o buffet França, o decorador, o cabeleireiro, o fotógrafo, todos vão estar agora disponíveis em 27 de março de 2021 para Marina e José. “Desde pequena eu sabia tudo o que eu queria no meu casamento, era um sonho, agora adiado”, diz Marina.

O vestido também estava praticamente pronto e vai ficar guardado com a estilista. Os noivos já receberam até alguns presentes, uma TV, um vaso de cristal, uma adega, mas como as listas agora são todas virtuais e os itens só são entregues após a festa, tudo terá de ser aproveitado também só daqui um ano.

Já Lilianne e Ricardo ainda não decidiram o que fazer com os convites que ainda não foram entregues e levam a data de 23 de maio de 2020. Depois da tristeza de decidir adiar o evento, conseguiram transferir na semana passada o casamento para ainda este ano, no dia 15 de agosto. “Eu sempre disse que nunca casaria em agosto, que é o mês do desgosto, tem toda a superstição, mas foi a única data que conseguimos”, conta a advogada Lilianne Sauberli Amador, de 37 anos. “Agora não sei se passo um corretivo na data velha ou deixo assim mesmo”, brinca a noiva, com os 400 impressos em casa.

Nesta semana, a advogada estaria na Bahia em sua despedida de solteira; a viagem que também foi cancelada, obviamente. “Passamos um ano colocando energia e dinheiro nisso tudo, percebemos agora que, no fundo, não controlamos nada. Feliz, feliz, eu não estou, mas a gente vai tentando manter a sanidade.”

Na semana passada, um decreto do governador João Doria proibiu eventos públicos com qualquer número de pessoas e recomendou que não fossem realizados os particulares. Casas de festas foram fechadas com o restante do comércio e serviço não essencial. O que na semana passada era uma decisão de noivos e aniversariantes passou a ser uma obrigação no Estado todo. Estima-se que o setor de eventos será um dos grandes impactados na atual crise, com cancelamentos e adiamentos que podem se estender até o fim do ano.

“Casamento é uma data para curtir com amigos e família, para celebrar, se abraçar, beijar, dançar. Não pode ser algo em que as pessoas estão mais preocupadas com a doença do que com a festa em si”, diz o administrador de empresas Rafael Lourenço, de 36 anos, ao explicar por que resolveu adiar o casamento antes mesmo das determinações oficiais. O evento seria dia 4 de abril no restaurante Ruella, na Vila Olímpia, e já estava todo pago. Noiva e noiva tinham até feito suas respectivas despedidas de solteiros.

Lourenço conta que a decisão veio cedo também porque as famílias dos noivos são do interior de São Paulo, com muitos idosos que teriam de se deslocar. “É muito mais responsável já mudar a data do que torcer para que daqui poucas semanas tudo já esteja bem.”

Ele e a noiva Marina conseguiram transferir tudo para 5 de setembro. Tiveram também que cancelar a viagem de lua de mel à África do Sul, cujo dinheiro foi devolvido, e pedir novas férias no trabalho. “Quando chegar dia 4 de abril acho que vai dar uma batida, ainda mais nesse confinamento. Se a vida tiver voltado ao normal, queria sair, fazer uma viagem. Mas acho que nunca mais vamos esquecer o que estamos passando.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.