CASAMENTO Televisão e internet se unem em prol da audiência

Marcos Mion

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h08

Marcos Mion nunca foi muito ligado a essas coisas de tecnologia, não. Era mais do mundo das artes, da filosofia. Mas quando se deu conta já estava inserido nos blogs e redes sociais e conquistava prêmios por sua frente na internet. Hoje, no comando do Legendários, ele não se vê fora nem da TV nem da internet.

Quando a sua relação com o público na internet começou a ficar mais forte?

Sou um cara de teatro, fiz faculdade de Filosofia, então sempre demorei para entrar nas ondas tecnológicas. Em 2007, começou uma onda de blogs. O Diogo Boni me convidou pra ter uma página no BlogLog, eu recusei por quase um ano, porque achava que não ia ter tempo, que não ia conseguir. Aceitei e até hoje não sei o que aconteceu, em dois meses já era o mais acessado lá dentro e encerrei o ano como o blog de pessoa física mais acessado do País. Foi uma loucura, não entendia muito do assunto, e a coisa ficou muito grande. Aí comecei a ver que realmente a internet tem um poder muito grande. Algum tempo depois fui apresentado ao Twitter pelo Felipe Solari e no começo a gente tratava realmente como uma rede social. Aí a coisa foi virando, acontecendo...

Quando começou a usar o Twitter nos seus programas? O Descarga, último programa que eu fiz na MTV, foi o primeiro programa da TV brasileira a colocar o Twitter na tela em real time. Então, conforme essas coisas foram aparecendo, eu estava inserido nelas. Quando vim para a Record, o projeto Legendários já nasceu multiplataformas no primeiro risco de lápis. E aí a gente foi aprendendo que adaptar uma coisa da TV no formato que ela é pra internet não dá certo, é uma linguagem diferente, ponto de vista diferente. A gente fez coisas exclusivamente para o pessoal do Twitter, para eles estarem ativos, para darem risada...

Qual é o papel do seu público na repercussão do seu programa?

Eu conto muito com esse público. Muitas vezes, isso não reverte em números de audiência na TV, mas reverte em conteúdo, em rapidez de informação, em pessoas interessantes comentando. É óbvio que todas as agências de publicidade estão ligadas no que está acontecendo nas redes sociais, então é um casamento. A audiência da internet não é similar à da televisão, mas a gente já está dando o primeiro passo e acredito que vai ser.

Em algum momento pensou que a audiência na internet poderia tirar a audiência da TV?

Não, não. Isso é um medo de quem não conhece. As duas coisas se complementam. A proposta e o futuro é que continuem as duas mídias juntas, isso vai abrir o leque de opções.

Apresentador de TV, ator e empresário

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