Casamento gay de 'Duas Caras' termina sem beijo

Assim como em 'América', cena entre Bernardinho e Carlão foi escrita, mas esbarrou na direção da Globo

Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2008 | 12h58

O Brasil ganhou o Oscar no último capítulo de Duas Caras, mas o casal gay terminou a novela sem beijar em cena. É a segunda vez que um final de novela desperta atenção pela possibilidade de exibir um "beijo entre iguais", como prefere chamar o autor Aguinaldo Silva. Em 2005, a autora Glória Perez havia tentado romper essa mesma barreira, em América. A cena em que os personagens Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) se beijam chegou a ser gravada, mas esbarrou na direção da emissora. Aguinaldo tornou pública no seu Blogão do Aguinaldão a vontade de levar o beijo ar, pela primeira vez na TV aberta brasileira. Enquanto isso, pipocavam comentários de bastidores que previam o veto à cena.  A discussão em torno da "exibição de beijos gays" tem pautado a TV não só brasileira, como de toda a América Latina. Mas se em Duas Caras não houve beijo gay, ela reservou ótimas cenas para os personagens de Thiago Mendonça e Lugui Palhares. Bernardinho e Carlão talvez nem precisassem se beijar depois de ter dançado um impagável tango, dia desses. Ou depois de o "Trio Ternura", apelido da relação moderna que Bernardinho mantinha com Dália (Leona Cavali) e Heraldo (Alexandre Slaviero), ter sido acolhido pelo público. Os três terminaram a novela com a permissão para registrar a filha - dois pais, uma mãe. Dessa forma, seria preciso questionar por que um beijo não pode ir ao ar. Que moralismo é esse que não se sente constrangido com o Funk do Créu, mas se sente desconfortável em ver um casamento terminar com o beijo do sim? Duas Caras também criou expectativa sobre a identidade do "Sufocador", um maníaco que atacava as moças da favela da Portelinha. Ele era Geraldo Peixeiro (Wolf Maya, também diretor da novela). Célia Mara (Renata Sorrah) e Branca (Susana Vieira) se tornaram amigas, e passaram a se divertir com a memória de João Pedro (Herson Capri), amante de uma e marido da outra. As duas se engalfinhando antes de fazer as pazes já é uma das brigas mais desajeitadas da história da TV, um barato. Juvenal Antena (Antonio Fagundes) terminou a novela sozinho, "casado com o povo", porque a amada Alzira (Flávia Alessandra) foi dançar em postes espanhóis. Silvia (Alinne Moraes) se exilou em Paris, mais uma vez destino de vilão de novela brasileira. E numa pegadinha, o ex-homem de gelo Marconi Ferraço (Dalton Vigh) pareceu que ficaria sozinho, depois de sair da cadeia. A morna Maria Paula (Marjorie Estiano) resolveu tirar uma onda de vingativa no último capítulo, mas fez a vontade da audiência e perdoou o bonitão arrependido. Esta foi a primeira vez que a Globo exibiu um capítulo final de novela num sábado.

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