Casal luta para salvar filho em 'A Guerra Está Declarada'

O barulho descompassado e ensurdecedor de uma máquina de ressonância magnética é mixado com as batidas de uma música eletrônica numa boate. Em "A Guerra Está Declarada", que estreia hoje, elementos tão distintos como esses são misturados para contar a história do bebê Adam, portador de um tipo raro de câncer que mata 90% dos pacientes. Ele é filho de Roméo (Jérémie Elkaïm) e Juliette (Valérie Donzelli), cujos nomes lembram a tragédia shakespeariana. Quando se conhece, o casal ironiza a coincidência. "Teremos um destino terrível", profetiza Romeo.

AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2012 | 11h03

O longa foi o escolhido pela França para representar o país no Oscar e é repleto de experimentalismos audiovisuais, que mesclam momentos de extremo drama com tentativas frustradas de fazer graça com a própria desgraça. Mas isso pode ser explicado pelo fato de que a tragédia é a história real dos dois atores, Elkaïm e Valérie, que resolveram embarcar num projeto absolutamente autobiográfico. Desta forma, impressiona a sinceridade com que eles tratam um tema tão pesado e escancaram uma dor que é deles, sem se colocarem como mártires.

O roteiro é assinado pelo casal e a direção ficou por conta de Valérie. Os dois, na vida real, também têm um filho com esse raro tipo de câncer, que aliás faz uma ponta no filme. E, como disse Valérie em declaração publicada na imprensa estrangeira, foi uma forma de exorcizar essas dores. Atualmente, o casal está separado, mas os atores interpretaram os papéis deles mesmos quando ainda eram casados.

O experimentalismo e o tema autorreferente podem ter sido justamente os elementos que agradaram aos críticos. Caso esta fosse uma produção americana, as pessoas sairiam do cinema com lágrimas nos olhos. Mas não. A diretora preferiu inserir uma trilha sonora animada num momento de dor, quando, por exemplo, Roméo recebe a notícia do tumor do filho. Há também uma narração em off que descreve, de maneira óbvia, cada cena. Como: "E naquele momento, Roméo sofreu de dor". Ora, está evidente pela atuação de Elkaïm que ele está sofrendo, não precisa de narração.

Há ingredientes típicos do cinema francês, como inserir personagens incomuns na história, como a mãe de Roméo, que é lésbica e casada com outra mulher. Numa trama em que o foco é o câncer, explicitar que a avó da criança é homossexual é, no mínimo, curioso. Enfim, "A Guerra Está Declarada" foge do lugar comum e das escolhas óbvias na hora da montagem. A guerra declarada dessa história é, antes de mais nada, contra a mesmice cinematográfica, porque aquela contra o câncer já está sendo travada. As informações são do Jornal da Tarde.

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