Casal gay pagará por barriga de aluguel em 'Amor à Vida'

Três dias depois da data de combate à homofobia, os gays vão marcar presença em Amor à Vida, nova novela das 9 da Globo que estreia nesta segunda-feira. Entre os homossexuais da trama escrita por Walcyr Carrasco que devem chamar atenção está o casal Eron e Niki, interpretados respectivamente por Marcello Antony e Thiago Fragoso.

JOÃO FERNANDO, Agência Estado

20 de maio de 2013 | 09h42

Ambos viverão juntos, com a promessa de trocar carícias nas cenas, fato incomum entre personagens homossexuais nas novelas. "É realista, em nenhum momento vai ser estereotipado. A preocupação do meu (personagem) é de que ele não vai dar pinta. A preocupação da direção é tratar o assunto com seriedade. Não estou interpretando um marciano. São pessoas que você vê", sentencia Antony. "Vou partir para coisas mais carinhosas. Mas é algo que existe na relação entre amigos, você toca os outros", minimiza Thiago Fragoso, que comemora o papel. "Estava faltando um homossexual na minha carreira."

Não há sinal do tão falado beijo entre dois homens, entretanto, os atores se dizem dispostos a partirem para a ação diante das câmeras. "Sou ator profissional. Tenho de interpretar o que o autor coloca. E é bom para divulgar e discutir isso na sociedade. Estou curioso para ver a reação. Não estou vendo pressão, mas curiosidade das pessoas. Para a novela é ótimo, vai dar ibope", palpita Antony.

Fragoso também se mostra aberto a tratar da homossexualidade na TV e não teme retornos negativos. "Não vai me dar medo. Se o meu carisma puder contribuir para a aceitação do público, vai ser o máximo. A intenção é discutir, mas a novela não é panfletária", avisa o ator, que desde já explica para o filho Benjamin, de 2 anos, que há pessoas que se interessam por pessoas do mesmo sexo. "Eu ensino ao meu filho que todo mundo é igual. Ele vai conhecer um amiguinho com dois pais ou duas mães."

Anthony tampouco se preocupa com a rejeição, como aconteceu em Torre de Babel (1998), em que o casal de lésbicas Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeiffer) foram mortas na trama por não agradar ao público. "Eram outros tempos. Acredito que vai ser um choque para muita gente. O Brasil é classe D e E. O andamento do casal vai depender da reação da população. Novela é assim, quem comanda é o público." O autor, porém, discorda. "A novela é escrita de acordo com a minha emoção. Minha missão é contar histórias. Autor que tem medo não pode ser escritor. Tem de ter coragem", dispara Walcyr Carrasco, que não pretende dar lição de moral. "A pessoa que faz tese é cientista que quer demonstrar alguma coisa. Autor que expressa a visão de mundo e sentimentos. Novela é um processo intuitivo, não é racional."

O casal deve provocar comentários porque pagará para Amarylis (Danielle Winits) ser a barriga de aluguel do filho em processo de inseminação artificial. "Vai mexer com a coisa de não fazer mais (da forma) tradicional. Não é nada óbvio o que vai acontecer", diz a atriz. Thiago Fragoso revela que Eron e Niki entrevistarão mulheres até chegar à enfermeira. O pai genético será mistério. "Eles não sabem de qual dos dois será o filho. Vai ser a azeitona na empada."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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