Casa Modernista será reformada

O número 325 da Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, é foco de polêmica há muito tempo. Assim que foi construída para ser residência de seu autor Gregori Warchavchik (1896-1972), a casa foi tema de discussões sobre a atitude estética do arquiteto russo que chegou por aqui mostrando para a São Paulo da década de 30 a arquitetura funcional e antidecorativa preconizada pelo amigo Le Corbusier. Na época, o debate em torno da construção era uma questão de gosto. Agora, em vias de passar por uma reforma prometida pelo secretário estadual da Cultura, Marcos Mendonça, o debate gira em torno da sobrevivência do imóvel histórico.A Casa Modernista, que desde 1989 é cercada pelo parque de mesmo nome, uma área de 13 mil metros quadrados, com 998 árvores, passou a maior parte de suas sete décadas envolvida em projetos. A maioria deles, porém, nunca saiu do papel. O fato é que o monumento, apesar de pertencer ao Estado, ser tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e reconhecido como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Compresp), está caindo aos pedaços.Por essa razão, representantes brasileiros do International Working Party for Documentation and Conservation of Buildings, Sites and Neighbourhoods of The Modern Movement (Docomomo), uma associação mundial de profissionais empenhados na preservação do legado arquitetônico moderno, reuniram-se recentemente com o objetivo de encontrar soluções para salvar a Casa Modernista."No encontro foram tratadas questões importantes, como possíveis pontos de partida para a reforma da casa e a importância de sua ocupação com atividades culturais", conta o arquiteto e curador Lúcio Gomes Machado, que fez a mediação do debate na ocasião. "Mas, apesar do nosso convite, nenhum representante da Secretaria de Estado da Cultura esteve no debate, e, sem o Estado, que tem a posse da casa, não se pode definir atitudes em relação ao restauro do local, que é urgente." Em entrevista, Marcos Mendonça garantiu que, apesar da ausência de representantes no evento (realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no câmpus da Rua Maranhão), a secretaria começará as reformas ainda neste mês. Segundo ele, o custo dos trabalhos ainda não está fechado, mas deverá ser algo em torno de R$ 600 mil.Mendonça tem uma ligação histórica com o edifício. Quando era vereador, ele foi responsável em 1985 pela inclusão do local na Lei de Zoneamento 8-200, mecanismo de preservação de área que permitiu a posterior abertura do local para a visitação. Outras propostas surgiram desde então, embora apenas o jardim, o primeiro jardim modernista da cidade, tenha recebido os cuidados devidos, enquanto a casa continuou exposta à degradação do tempo e ao vandalismo.Algumas instituições também pleitearam a utilização da casa, por meio de projetos, comprometendo-se a colaborar com seu restauro e preservação, mas as tentativas desse tipo não tiveram resultados concretos. "Em breve, porém, teremos condições de devolver à cidade este patrimônio em ordem", garante o secretário. "Estamos apenas aguardando a aprovação do orçamento para dar início à reforma, que deve ser finalizada ainda este ano."

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