Casa de verão de Einstein é aberta a visitantes

A casa de verão de Albert Einstein, perto de Berlim e às margens de um lago, reabriu suas portas no cinqüentenário da morte do gênio da física, para receber visitantes, cientistas consagrados e jovens pesquisadores. No "Ano Einstein", a casa na qual o pai da teoria da relatividade passou seus verões antes de se exilar, fugindo do nazismo, recuperou sua função de ponto de encontro para visitantes e pesquisadores. A casa fica na pequena cidade de Caputh, vizinha a Potsdam (às portas de Berlim) e foi um presente dos cidadãos a Einstein, quando ele completou seus cinqüenta anos, em 1928, em reconhecimento por seu grande prestígio internacional. Esta é a única "residência Einstein" em seu país, pois a casa onde morava, em Berlim, foi destruída pelos bombardeios da II Guerra Mundial. Já a casa na qual viveu em Princeton, em seu exílio nos EUA, é habitada até hoje por outros inquilinos. Em Caputh, o gênio da física passou poucos verões, já que Albert e Elsa Einstein saíram da Alemanha nazista pouco depois da chegada de Adolf Hitler ao poder, em 1933. Dois anos depois disso, a propriedade foi expropriada da família pelo nazismo. No entanto, segundo Inga Wellmann, diretora do Fórum Einstein, que administra o uso público da casa de Caputh, o lugar foi como o refúgio da alma do cientista e terá essa mesma função no futuro. O prêmio Nobel de Física descreveu seu "paraíso de verão" em algumas cartas nas quais narrava longas conversas, lanches perto do lago e passeios de veleiro, uma das paixões de Einstein. O mais popular cientista do século XX gostava de fumar cachimbo na entrada da casa e tinha participado pessoalmente do acondicionamento do local. Após sair da Alemanha, a casa foi utilizada como residência de membros do exército (Wehrmacht) e, já em tempos da RDA, passou por uma primeira reforma. Depois, ficou anos em estado de abandono. Agora, a residência de veraneio, construída no início de 1900, sofreu uma profunda reforma e foi aberta oficialmente ao público no domingo, pela ministra alemã de Educação e Ciência, Edelgard Bulmahn. A partir da próxima quinta-feira, o lugar receberá visitas marcadas três vezes por semana e, em junho, será aberta a seminários de cientistas consagrados e também a estadias de três meses para jovens bolsistas. A reforma custou 500 mil euros, financiados por patrocinadores privados e pelo governo alemão, como parte dos 13 milhões de euros destinados ao "Ano Einstein", no qual é lembrado o cinqüentenário da morte do gênio da física e o centenário da teoria da relatividade. A proprietária legal da casa é a Universidade Hebraica de Jerusalém, que depois da reunificação alemã (1990) se tornou dona do local durante o processo de restituição de bens expropriados pelo nazismo. No entanto, o usufruto da propriedade é do Fórum Einstein, que propôs realizar o primeiro seminário no local no próximo mês, com a participação na abertura do chanceler Gerhard Schröder e de alguns prêmios Nobel de EUA, Japão, Alemanha, Suíça e Israel. Além disso, serão oferecidas bolsas de estudos de três a quatro meses para jovens pesquisadores que terão a oportunidade de estudar no paraíso onde Einstein gostava de convidar estudantes e cientistas para conversar. Os visitantes poderão percorrer a residência de verão e, como queria Einstein, o lugar não deve ser encarado como uma casa-museu, mas como um ponto de encontro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.