CASA DE FRANCISCA NO OFICINA

Pequena no tamanho, mas representativa no conceito, a Casa de Francisca, aconchegante reduto paulistano da melhor música contemporânea independente, passou por dificuldades para se manter. Para dar suporte a uma reforma, os sócios-proprietários Rubens Amatto e Rodrigo Luz organizaram no ano passado um bem-sucedido encontro no Teatro Oficina, com vários artistas que passaram pela casa (de apenas 44 lugares) desde a inauguração em 2007. Com 87 atrações, a segunda edição de El Grande Con(s)erto vai tomar o mesmo teatro hoje e amanhã a partir do fim da tarde.

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2013 | 02h15

São artistas de várias gerações, como os consagrados Paulo Vanzolini, Ná Ozzetti, Cida Moreira, Eduardo Gudin, Alzira E, Os Mulheres Negras, Nelson Ayres, Banda Isca de Polícia, Vânia Bastos e Arrigo Barnabé - que gravou na Casa de Francisca o ótimo Caixa de Ódio, interpretando Lupicínio Rodrigues. Ao lado de expoentes da nova geração - entre eles, Gui Amabis, O Terno, Rodrigo Campos, Felipe Cordeiro, Juliana Amaral, Metá Metá e Blubell - eles compõem um estimulante painel da música feita em São Paulo. A programação completa - que inclui Zé Celso Martinez Corrêa - está no site www.casadefrancisca.art.br.

Há significativas diferenças entre este encontro e o do ano passado, quando os artistas abriram mão dos cachês. "Esta edição acontece em outro contexto e ganhou maior proporção também. Vem da nossa vontade de promover um encontro e celebrar diversos trabalhos tão relevantes da música brasileira", diz Amatto. "Este ano por exemplo todos participarão de um grande rateio, não há o tom de 'caridade', como saiu num jornal. Mas claro que há um envolvimento e uma afetividade muito grande dos artistas pelos projetos da Casa ao toparem participar."

Este ano serão três apresentações por hora sem intervalo entre elas, durante seis horas por dia. No ano passado foi muito especial para os organizadores "ver o encantamento de tantas pessoas por trabalhos que até então não conheciam". Esse foi o motivo pelo qual não divulgaram antes a ordem das apresentações. "Queremos provocar o encontro não só entre os artistas, mas entre os diferentes públicos também", diz Amatto. "É uma alegria muito grande para nós voltar a realizar esse projeto em um dos espaços culturais de maior força e resistência do País."

A aposta no elemento surpresa, com encontros inéditos e afinados, condiz com o conceito da Casa de Francisca. Ao ganhar credibilidade pela música de valor artístico, o lugar atrai pessoas que, mesmo não conhecendo determinadas atrações, confiam em sua boa reputação.

Amatto diz que depois da reforma conseguiu estruturar diversas dificuldades anteriores a ela. "O ano de 2012 depois da reforma e do Grande Con(s)erto foi maravilhoso para nós. Tivemos 98% de público durante todo o ano em cerca de 200 shows ao longo de 8 meses", diz. "Recebemos os principais prêmios da categoria e fomos um dos finalistas do Prêmio Governador Estado de São Paulo, ao lado de instituições como Sesc São Paulo e Itaú Cultural."

Amatto rebate informações equivocadas na imprensa, insinuando que a segunda edição do Conserto foi organizada para "salvar" a Casa da derrocada. "Não estamos em situação de desespero por patrocínio", diz. "Temos buscado alguns parceiros e parcerias, sendo que algumas estão se consolidando. Já pensamos muito também sobre a possibilidade de patrocínios, mas até então não visualizamos nenhum patrocinador com perfil que possa realmente estar compromissado culturalmente em nosso projeto."

O problema é que a decisão das empresas é sempre em torno do marketing. "São raras as que percebem o quanto também agregariam valor em sua marca com esse tipo de investimento, além, é claro, da importância cultural para a cidade."

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