Cartunista Marcatti lança "Mariposa"

O cartunista Francisco Marcatti Jr., que há 27 anos é uma das figuras mais execradas das HQs nacionais, acaba de ganhar um contrato de responsa, com a Editora Conrad, após quase três décadas vendendo seus malamanhados gibis em portas de cinemas, teatros e bares. O paulistano Marcatti desenha desde os 7 anos. Aos 18 anos, gastou tudo que tinha para comprar uma impressora off-set. Publicou pela primeira vez em agosto de 1977, na edição n.º 1 da revista Papagaio. Desde então, notabilizou-se por álbuns pegajosos (e criativos), como Fráuzio, Mijo, Tralha (com Mutarelli) e Glaucomix - este em parceria com o escritor Glauco Mattoso. Também contribuiu com as já lendárias revistas Chiclete com Banana e Circo, além de criar a capa dos discos Brasil e Anarkophobia, da banda Ratos de Porão. Seus trabalhos renderam-lhe quatro prêmios HQ Mix e um prêmio Jayme Cortez. Marcatti assinou contrato com a Conrad para fazer uma história de fôlego, batizada de Mariposa (R$ 19,00, 84 páginas), que mostra duas prostitutas Fercínia e Marlésia que fazem shows decadentes e são exploradas pelo cafetão Herminiano. Fercínia, no entanto, alimenta esperanças de mudar de vida."Mariposa é a mais longa HQ que já escrevi", conta Marcatti. "Escrever uma história desse porte me deu espaço para elaborar e aprofundar a construção das personagens e dos elementos como não havia feito antes." Ele elogia a disposição de sua nova editora, a Conrad, em tratar os quadrinhos com a mesma atenção e o carinho que normalmente são dados à literatura. "O livro é um romance. Com todos os elementos, prazeres e dissabores de um insólito triângulo amoroso", define. As histórias de Marcatti têm sempre um certo tom de pessimismo e desencanto, e os personagens chegam ao fundo do poço do patético. O certo é que, desde os anos 80, um gibi de Marcatti nunca passa despercebido.

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