Cartunista do <b>Estado</b> inaugura mostra no Café Piu Piu

O cartunista José Carlos Santos, o Carlinhos, do Estado, toca um pouco de sax e flauta. "Para desespero dos freqüentadores", brinca, ele e alguns colegas vão fazer um som para animar nesta quarta-feira a abertura da sua mostra Samba, Choro e Rockand Roll , no Café Piu Piu, no Bixiga. São 14 ampliações fotográficas de aquarelas que expõem, como num raio-x de hospital, as características mais marcantes de gente como Jimi Hendrix, Bono Vox e o U2, Janis Joplin, Santana e Pixinguinha, entre outros. Muitas das caricaturas que Carlinhos expõe ilustraram reportagens do Caderno 2 e o original de uma delas, que ganhou a primeira página, está hoje na casa de Ron Wood, guitarrista dos Rolling Stones. A própria banda viu o desenho no jornal e pediu que um amigo brasileiro, o artista plástico Ivald Granato, comprasse o original para eles. "Gosto muito de desenhar os Stones, acho que já fiz umas dez versões deles", conta Carlinhos, premiado no 32.º Salão de Humor de Piracicaba (esteve entre os vencedores em cinco ocasiões). Carlinhos desenhou a banda U2 quando de sua última visita ao Brasil, retratando os irlandeses como um indivíduo de quatro cabeças, reflexo da convivência harmoniosa da banda (assim também foi como os marrudos ingleses do Oasis, bem menos tranqüilos). Um encurvado Santana, Vinicius em sua banheira, Hendrix com a guitarra torcendo e pingando sangue, Frank Zappa de braços abertos para o mundo, Bob Marley com os dredlocks formando plantas exóticas na cabeça. As predileções musicais ("Gosto de ouvir de tudo, choro, bossa, rock, música erudita") transbordam para a atividade profissional do cartunista, que desenha astros da música com rara argúcia há mais de 20 anos. E com prazer. "Gostaria de dedicar mais tempo só desenhando músicos. Pena que, aqui no Brasil, esse tipo de arte não seja tão valorizada; senão já teria publicado uma dezena de livros só com caricaturas de bandas, autores, cantores." Mas não tem ninguém que seus ouvidos detestem, e que ele tenha desenhado a contragosto? "Acho que até agora nunca fui cruel com ninguém", ele diz. "Por estar sempre desenhando para alguma publicação, nunca levei por esse lado. Quando faço pra mim, ou para algum salão de humor, procuro sempre um personagem que eu curta muito." Premiado nos principais festivais de humor do País, como o HQ Mix, Carlinhos trabalha no Estado desde 1989.

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