Cartase em série

Para LL Cool J, o formato faz sucesso porque traz conforto para a insegurança das pessoas

JOÃO LUIZ SAMPAIO , LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h09

Se é verdade que séries de investigação ou sobre policiais e agentes federais existem desde que o formato surgiu, também é fácil de constatar que nos últimos dez anos elas invadiram os principais canais de televisão norte-americana. Além de NCIS, seriados como CSI e Law & Order, não apenas bateram recordes de audiência como se multiplicaram em diversos spin-offs.

"É um formato que existe, mas isso não quer dizer que a fórmula se repete", diz LL Cool J, ator de NCIS: Los Angeles. "Veja a Casa Branca, há quanto tempo ela está lá em Washington? Ainda assim, mesmo que seja o mesmo prédio, há algo muito diferente acontecendo por lá atualmente, você não acha?"

LL Cool J fala que o que lhe chamou mais a atenção em seu personagem, o agente especial Sam Hanna, foi a "disposição de se sacrificar a qualquer momento por um bem maior". E, por conta disso, talvez exista algo em séries como essa que tranquilizam as pessoas, em especial após traumas como o 11 de setembro.

"Com certeza, há algo assim por trás da relação entre estas séries e o público. Há muitos vilões de verdade, pessoas capazes de muita coisa, e isso assusta as pessoas. Ao ver na tela um personagem como o meu, as pessoas se dão conta de que há estes profissionais no mundo real, também capazes de muita coisa, mas para o bem. E isso, de alguma maneira, produz algum conforto."

Conforto, diz, é uma palavra chave na indústria do entretenimento. "Ninguém aqui quer fingir que uma série de TV vai ajudar a curar o câncer, mas as pessoas lidam com dificuldades das mais variadas no dia a dia e ter a arte como algo que as ajude a superar um pouco do cansaço e do mal-estar é importante", reflete.

Cantor e compositor de hip-hop - já teve uma de suas músicas, No More, interpretada por Ne-Yo, como trilha do episódio Traição -, ele já flertou com o Partido Republicano, mas na última eleição apoiou o presidente Barack Obama em sua campanha pela reeleição. Ainda assim, é cauteloso ao falar da relação entre artistas e política. "Sou um ator, um cantor, se virei uma celebridade, foi consequência da minha relação inicial com a arte. Se isso traz alguma responsabilidade? Eu acho que não. Jamais vou fugir de alguém que pergunte qual é a minha opinião. Mas é disso que se trata, uma opinião, que não tem que ser seguida por ninguém. Mudar a realidade, sugerir transformações por meio de palavras e opiniões, isso é função de jornalistas. Eu sou um artista e falo, antes de mais nada, com a minha arte."

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