Cartas raras de Anchieta são expostas em SP

Dezessete cartas que há 450 anos atravessaram o Atlântico em uma nau vão fazer o trajeto inverso amanhã, agora em um avião. Será a primeira vez que essas cartas em latim, mandadas pelo padre José de Anchieta a seus superiores, deixam a biblioteca da Companhia de Jesus, no Vaticano. O destino é o Pátio do Colégio, onde no dia 25 será aberta a exposição Os Empreendedores: de Anchieta aos Novos Tempos.Em um dos textos, Anchieta diz que a bebida é o maior mal dos índios sob catequese. Em outro, fala da fundação de São Paulo: "Para sustento destes meninos, a farinha-de-pau era trazida do interior, da distância de 30 milhas. Como era muito trabalhoso e difícil por causa da grande aspereza do caminho, ao nosso padre (Manuel da Nóbrega) pareceu melhor no Senhor mudarmo-nos para esta povoação de índios que se chama Piratininga.""Isto por muitas razões: primeiro, por causa dos mantimentos; depois, porque se fazia nos portugueses menos fruto do que se devia... Por isso, alguns dos irmãos mandados para esta aldeia no ano do Senhor de 1554, chegamos a ela a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa numa casa pobrezinha e pequena no dia da conversão de S. Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo nome esta Casa."A exposição está sendo promovida pela Associação Comercial, que negociou com o Vaticano a vinda das cartas e pagou a ida a Roma do padre Pedro Melchert, que voltará com elas. São mais de 300 cartas, escritas entre 1553 e 1601. Entre elas, estão as 17 de Anchieta. Serão transportadas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, para o Pátio do Colégio sob esquema especial de segurança. Ficarão expostas em receptáculos com temperatura, umidade e iluminação controladas.Clique para ver o especial "São Paulo 450 Anos"

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