Carta a Lúcio Cardoso

Nápoles, 26 de março de 1945 (...) Li seu livro numa só tarde, naturalmente sem interromper. A princípio tinha dificuldade de lê-lo tão trágico me parecia porque é escrito na primeira pessoa e eu tinha a impressão de que o rapazinho era você. E como você é mesmo impossível podia ser você. Aos poucos fui me acostumando e afinal separei você de seu livro. Você começa com um estilo tão excitado como um passarinho... E no começo tem uma coisa que você parece nunca ter usado (sobretudo no começo): quase bom humour, quase ironia. (Não fique irritado, é bom humour no bom sentido...) O fato é que gostei de Inácio com tanta curiosidade e tanto interesse como dos seus outros. Ele é uma mistura (nesse livro mais, me parece) de coisas em que a gente sempre toca, como a Duquesa fazendo café à moda da roça e a flor ?sem serventia nenhuma?, com coisas que a gente nunca toca, como Inácio, meu Deus...

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