Carta a Fernando Sabino

Berna, 13 de outubro de 1946 (...) Uma noite dessas também sonhei uma coisa. Não foi terrível como o seu sonho (a idéia de uma unha partida em dois é o mesmo para mim que apagar o quadro-negro com folha de papel... até nisso sua ?técnica de horror? foi bem-sucedida). Meu sonho não foi tão terrível como o seu mas também me deu uma angústia de um símbolo. Sonhei que estava num lugar de cores apagadas, tudo meio dormente, e que eu ia subir uma escadaria imensa, alta, alta. Eu me aproximava para subir e com horror via que a escadaria era apenas pintada ? nem pintada, desenhada a lápis com perspectivas certas em claro e escuro, parece que em cima de papel móvel porque havia vento. Nem lhe posso descrever de como comecei a subir e que dificuldade sentia: era uma imagem de escada e eu pisava em degraus desenhados e sem profundidade. Peço-lhe que não faça psicanálises... Acho que a explicação é de que me falta ?realidade? (...).

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