Carolina Ferraz, no palco e na TV

Sem glamour, vestida com roupinhas de camelô, exibindo aquele cabelo que não vê uma tesoura há meses. Assim é Rosário, a desleixada bibliotecária vivida por Carolina Ferraz em O Rim, peça de Patrícia Melo que estréia em São Paulo na próxima sexta-feira. No palco, ela pouco lembra a esnobe Rebecca, uma das personagens mais elegantes da novela Belíssima. Na pele da poderosa dona de agência, Carolina está muito à vontade. Tão à vontade, que emprestou até seu figurino pessoal para a personagem. "Cerca de 50% das roupas da Rebecca são minhas. Mesmo sim, acho que não tenho muita coisa a ver com ela", diz. O meio fashion a atriz conhece com detalhes: Carolina trabalhava como modelo nos anos 80. O rosto rechonchudo não ficava muito bem nos editoriais de moda. Carolina fez muito mais sucesso quando estreou em Pantanal, novela da extinta Manchete. "Estou afastada do mundo da moda há uns 17 anos, mas tenho condições de dizer que minha personagem é bem diferente do que seria uma dona de agência de carne e osso. O autor usa o ambiente da agência para contar sua história, mas ela não precisa ser fiel à realidade. A personagem Giovanna é o melhor exemplo disso. Uma menina como ela jamais seria escolhida para estrelar uma campanha de biquínis. Ela teria que perder no mínimo uns oito quilos! A atriz Paola Oliveira é linda, mas é uma mulher de verdade. Nem todo mundo tem 1,80 m de altura e 50 quilos. As pessoas de verdade vestem manequim 38, vestem calça 40." Apesar de levantar bandeira em defesa da beleza natural, Carolina não condena as pequenas ajudas estéticas do mundo moderno. "Ainda não fiz plástica por acaso. Sou a favor da tecnologia a serviço do homem, mas acho que precisa haver critérios. Hoje, se a mulher se sente gorda, faz primeiro a lipo e depois a dieta. Tem algo errado aí." O discurso equilibrado de Carolina combina com sua estabilidade profissional, construída no meio de algumas turbulências. "Fui amadurecendo e hoje me sinto preparada para assumir qualquer risco. Como atriz, estou emocionalmente mais estruturada. Aprendi que tudo conspira contra o ator: a maquiagem, a carga horária ... A profissão é muito difícil", desabafa. Carolina sentiu o peso da fama em 1998, quando seus problemas de relacionamento com Francisco Cuoco se tornaram públicos. Cuoco, que protagonizava com Carolina o remake de Pecado Capital, até hoje fala com mágoa sobre a relação. Ela, porém, despista. "Nunca falei nada sobre o senhor Francisco Cuoco e continuo sem ter nada a dizer. Se você procurar informações na Globo, vai descobrir que as pessoas não costumam ter problemas quando trabalham comigo. Profissionais maduros devem resolver seus próprios problemas. Prefiro ouvir só as críticas ao meu trabalho. Afinal, ninguém tem um trabalho perfeito." Para o desempenho de Carolina como Rebecca sobram aplausos. "As pessoas adoram, elogiam muito o núcleo da agência Razzel Dazzel. Acho que o fato de estar na TV aguça a curiosidade do público, que acaba ficando mais interessado em me ver no teatro. Emendei três novelas seguidas, minha imagem está bastante presente." Antes de entrar para o time de Belíssima, Carolina atuou em Kubanacan (2003) e Começar De Novo (2004). "É a primeira vez que faço teatro e TV ao mesmo tempo. Estou cansada. Quando a novela terminar, quero fazer algo que nunca fiz, como montar colares de flores em Honolulu", brinca. Na certa, amadurecimento profissional traz também bom humor.

Agencia Estado,

01 de março de 2006 | 12h16

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